Bolsonaro expõe avanços do governo e sede de vingança contra Adélio Bispo em retorno às redes

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Por Renato C. de Abreu

Após ficar afastado por conta da quarta cirurgia após o ataque sofrido no ano passado em Juiz de Fora (MG), durante sua campanha presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) voltou com força total às suas redes sociais nesta semana.

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O presidente focou seus esforços em divulgar os avanços de seu governo e também para criticar duramente Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada que feriu gravemente o então candidato.

“Com a graça de Deus, passamos bem por mais um processo cirúrgico decorrente dos reflexos causados pela tentativa de assassinato cometida por ex-membro de partido de esquerda! Finalmente de volta ao conforto do lar, junto à minha filha e voltando ao trabalho! O Brasil tem pressa!”, disse Bolsonaro.

O julgamento citado pelo presidente, entretanto, foi adiado para o próximo dia 2 de outubro. O TRF-1 irá apurar se os responsáveis pelos pagamentos dos honorários da defesa de Adélio teriam alguma participação no atentado contra Bolsonaro.

No mesmo dia, o presidente fez questão de publicar feitos promovidos pelo governo desde o início de seu mandato.

Já na terça-feira (17), Bolsonaro ainda defendeu seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC) pela afirmação do político sobre a democracia no Brasil. “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”, disse em seu Twitter. A declaração gerou uma série de críticas ao filho do presidente ao longo das últimas semanas e se tornou em mais uma polêmica no governo Bolsonaro.

Apesar da repercussão, Bolsonaro defendeu o filho. “Ele tem razão. Se fosse em Cuba ou na Coreia do Norte já não teriam aprovado tudo e qualquer reforma sem parlamento? Demora, porque tem a discussão. Isso é natural”, disse em entrevista à TV Record.

Para o presidente, a declaração só ganhou ares de polêmica pois Carlos é seu filho. “Uma coisa óbvia que nem deveria dar essa repercussão toda que se teve. Teve obviamente porque é meu filho. Se fosse uma outra pessoa, não teria problema nenhum”, disse.

Apesar do pedido médico de manter repouso, Bolsonaro voltou para Brasília para reassumir o cargo ainda na terça. Em conversa com jornalistas na entrada do Palácio da Alvorada, disse que seu foco seria aprovar um projeto de lei que libera a posse de arma de fogo em imóveis rurais.

A medida gerou debate nas redes sociais. Opositores do presidente acreditam que a liberação das armas pode agravar ainda mais os conflitos na região rural. O pedido é um dos mais antigos da bancada ruralista, que vê no porte de armas a única saída para impedir crimes no campo, como invasão de terras e roubos.

Na quarta-feira (18), Bolsonaro comemorou no Twitter o corte de juros pelo Banco Central. No final do dia, a taxa Selic foi reduzida em 0,50 ponto percentual, caindo de 6% para 5,50% ao ano.

Este é o 14º corte na Selic desde quando atingiu o pico de 14,25% entre julho de 2015 e outubro de 2016. Segundo especialistas, a redução dos juros ocorreu por conta do cenário de inflação controlada e a autoridade monetária que indicou a possibilidade de novos cortes no ano.

Bolsonaro também caminhou ao redor do Palácio da Alvorada usando uma camisa do Goiás. Em suas redes sociais, divulgou fotos do passeio, confirmando melhora de seu estado de saúde.

Já na quinta-feira (19), Bolsonaro anunciou o descontingenciamento de R$ 8,3 bilhões promovido pela Casa Civil. Segundo o presidente, o montante será distribuído entre o Ministério da Educação e outras pastas.

A maior arrecadação de impostos nos últimos meses ajudou na liberação da verba. Entretanto, Paulo Guedes, ministro da Economia, havia sinalizado recentemente que o descontingenciamento poderia alcançar a marca dos R$ 14 bilhões.

Ainda na quinta, Bolsonaro sofreu uma derrota no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O plenário julgou, por unanimidade, improcedente uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) aberta em 2018 pelo presidente contra o então candidato Fernando Haddad (PT). O petista foi acusado de conluio com o jornal Folha de S. Paulo para prejudicar a imagem do candidato do PSL durante a eleição.

Por fim, na sexta-feira (20) o presidente sancionou, com quatro vetos, a MP da liberdade econômica. O texto prevê a criação da carteira de trabalho digital e o fim da obrigatoriedade de alvará para atividades de baixo risco.

A nova lei tem como objetivo diminuir a burocracia nas atividades econômicas e facilitar a abertura e encerramento de empresas, segundo o governo. Os vetos de Bolsonaro foram nos pontos sobre a utilização de cobaias humanas sem protocolo de proteção, aprovação automática de licenças ambientais, criação de um regime tributário paralelo e ainda o prazo de 90 dias para a validade da lei.

Bolsonaro ainda comemorou a redução de multas em todo Brasil após a suspensão de radares móveis em rodovias federais. Segundo o presidente, o número de mortes também caiu, mas não apresentou maiores dados.