Ucrânia: À beira de um conflito militar que não interessa a ninguém

“Só sei que nada sei”: a frase, atribuída a Sócrates, cabe como uma luva para o analista que se aproxime do atual conflito na fronteira com a Ucrânia. Sobretudo em uma de suas interpretações posteriores: “só tenho certeza de minhas incertezas”.

Flávio Aguiar, analista político

As incertezas derivam do fato de pouco se saber, no labirinto de movimentação de tropas e do trânsito de armamentos de um lado e outro do conflito imediato, o que é militarmente para valer e o que é reforço da retórica de uma guerra híbrida entre os beligerantes.

Há duas certezas no ar. Primeira: a Rússia deslocou 100 mil homens e armamento pesado para a fronteira com a Ucrânia. Isto não é uma cortina de fumaça. É uma realidade. Segunda: as Forças Armadas ucranianas vem recebendo armamentos por parte de países aliados dos Estados Unidos, como o Reino Unido, e treinamento por parte de outros e da OTAN.

Outra certeza: no momento, a maior fonte de atrito direto entre os beligerantes está no interior da própria Ucrânia, entre as forças do governo de Kiev e os separatistas na região de Donbas, na fronteira com a Rússia, onde há dois centros urbanos de grande importância, Luhansk e Donetzk. É uma região rica em carvão e siderurgia, estratégica para a economia ucraniana. Nem o governo da Ucrânia nem os separatistas, que têm apoio russo, querem abrir mão de suas posições.

Estratégia dos aliados

O próprio presidente Biden admitiu que há dúvidas sobre a intensidade das reações militares ou econômicas, dependendo do tipo de invasão que possa ocorrer, se mais ou menos limitada.


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