Ucrânia recupera mais território e Rússia contra-ataca

As forças ucranianas afirmaram nesta segunda-feira (12) que recuperaram mais território no leste e no sul do país com ofensivas contra as forças russas, que responderam com bombardeios em algumas localidades e prometeram combater até alcançar seus objetivos.

"Desde o início de setembro, nossos soldados já libertaram 6.000 km² de território ucraniano no leste e no sul, e continuamos avançando", declarou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em um vídeo divulgado nas redes sociais.

"A libertação das localidades nas mãos dos invasores russos continua nas regiões de Kharkiv e Donetsk", no leste do país, anunciou o exército da Ucrânia, que garantiu que as tropas russas "estão abandonando suas posições às pressas e fugindo".

A contra-ofensiva da Ucrânia vem ganhando terreno, principalmente na região de Kharkiv, que faz fronteira com a Rússia no nordeste do país.

No entanto, as tropas de Kiev também afirmam estar avançando no Donbass, controlado pelos separatistas pró-russos desde 2014; e no sul, mais especificamente na região de Kherson, onde afirmaram nesta segunda-feira ter retomado 500 km² de território em duas semanas.

Em 2 de junho, Zelensky reconheceu que cerca de 125.000 km² estavam sob controle russo, entre eles 43.000 km² (Crimeia e áreas da bacia do Donbass) perdidos antes da invasão russa de 24 de fevereiro.

Se os ganhos forem consolidados, isso representaria os maiores ganhos territoriais para a Ucrânia desde a retirada das forças russas dos arredores de Kiev, no final de março.

- Alcançar os "objetivos" -

Diante dessa inesperada derrota das forças russas, o Kremlin retomou nesta segunda-feira o tom ofensivo e anunciou o bombardeio das zonas recuperadas pela Ucrânia na região de Kharkiv, nas áreas de Kupiansk e Izium.

Além disso, a Rússia afirmou que a ofensiva iniciada em fevereiro prosseguirá "até alcançar os objetivos", segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que acrescentou "não haver perspectivas de negociações" entre Moscou e Kiev no momento.

As autoridades de ocupação pró-Rússia na região de Kharkiv afirmaram nesta segunda-feira que seguiram para a região russa de Belgorod, perto da fronteira, oficialmente para ajudar no fluxo de refugiados, segundo as agências russas de notícias.

O líder da autoproclamada república separatista de Donetsk (leste), Denis Pushilin, admitiu nesta segunda-feira que a situação era "difícil" no front, mas garantiu que as forças russas "resistiam".

A perda da cidade estratégica de Izium, que contava com 50.000 habitantes antes da guerra e se tornou um importante ponto de abastecimento para as tropas russas, pode minar seriamente as ambições militares de Moscou no leste da Ucrânia, segundo especialistas.

Outros acreditam faltar muito caminho a percorrer.

"A Ucrânia infligiu uma grande derrota operacional à Rússia ao retomar quase toda a região de Kharkiv, mas a atual contra-ofensiva não encerrará a guerra", analisou o grupo de pesquisa ISW, com sede em Washington.

Em Izium, Nadia Nesolena, de 61 anos, estava na rua quando os primeiros soldados ucranianos entraram na cidade.

"Recebemos os soldados com lagrimas nos olhos. Esperávamos a meses por eles. Estamos muito felizes", afirmou à AFP.

Em outras cidades recuperadas, os habitantes decidiram denunciar os assassinatos de civis às autoridades.

Em Zaliznychne (leste), quatro corpos foram encontrados com "vestígios de tortura", informou nesta segunda-feira o Ministério Público, que, de acordo com uma investigação preliminar, aponta para atos dos militares russos durante a "ocupação".

- "Vitórias notáveis" -

O exército ucraniano anunciou primeiro uma contra-ofensiva no sul, antes de realizar na semana passada operações na região de Kharkiv.

Na região de Kherson, "nossas vitórias nestas duas semanas são bastante notáveis", afirmou Natalia Gumeniuk, porta-voz militar para a divisão do sul.

Informações que pareciam contraditórias às de Kirill Stremoussov, chefe adjunto da ocupação russa em Kherson, que afirmou que a situação estava "sob controle russo".

Também no sul, a situação continua preocupante na usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, onde todos os reatores já foram desligados.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em contato com os dois lados para estabelecer uma zona de segurança ao redor da usina, mencionou nesta segunda-feira "sinais positivos" no local.

Mas, pouco depois, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Oleg Nikolenko, disse que a única maneira de "garantir a segurança nuclear da usina de Zaporizhzhia é sua desocupação, desmilitarização e retorno ao controle ucraniano".

"Todos os esforços da AIEA devem estar focados em alcançar esse objetivo", escreveu no Twitter.

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