Ucrânia condiciona negociações de paz à retirada das tropas russas

Moscou não entrou em contato oficialmente com Kiev para iniciar negociações de paz, mas a Rússia teria que retirar completamente suas tropas da Ucrânia para possibilitar as conversações, afirmou o chefe de gabinete da presidência ucraniana.

"Não temos nenhum pedido oficial da parte russa sobre... negociações", disse Andriy Yermak em um discurso em inglês, por videoconferência, no Fórum Internacional de Segurança de Halifax.

Qualquer conversa que não seja baseada na soberania e integridade territorial da Ucrânia dentro dos limites de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas é "inaceitável", disse.

"O primeiro passo que deve ser adotado pela Rússia é a retirada de todas as tropas russas do território ucraniano", acrescentou Yermak.

As declarações foram feitas um dia após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitar a ideia de uma "trégua curta" com a Rússia, alegando que isto apenas pioraria as coisas.

"A Rússia busca agora uma breve trégua, uma pausa para recuperar as forças. Alguém pode chamar isto de fim da guerra, mas tal trégua somente pioraria a situação", disse o líder ucraniano em comentários no mesmo fórum de segurança.

"Uma paz verdadeiramente real, duradoura e honesta só pode ser o resultado da completa demolição da agressão russa", declarou Zelensky.

A Casa Branca afirmou na sexta-feira que apenas o presidente ucraniano pode decidir quando iniciar as negociações de paz com a Rússia, rebatendo a ideia de Washington estaria pressionando Kiev a negociar o fim de quase nove meses de guerra, iniciada pela invasão russa ao território da Ucrânia em fevereiro.

O general Mark Milley, principal comandante militar dos Estados Unidos, sugeriu nas últimas semanas que Kiev poderia aproveitar as vitórias no campo de batalha e iniciar conversações para acabar com o conflito.

Milley recordou na quarta-feira que, embora a Ucrânia tenha registrado vitórias importantes recentemente, a Rússia continua controlando quase 20% do país. Também previu que é improvável que as tropas de Kiev obriguem os russos a deixar o país em breve.

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