Ucrânia descarta qualquer ofensiva contra os separatistas pró-russos

Ania TSOUKANOVA
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Imagem fornecida pelo serviço de imprensa da Presidência ucraniana em 9 de abril de 2021 mostra o presidente Volodymyr Zelensky no fronte na região de Mariupol

As Forças Armadas da Ucrânia afirmaram nesta sexta-feira (9) que não lançarão uma ofensiva contra os separatistas pró-russos que controlam duas regiões do leste do país, em meio aos crescentes temores de uma escalada militar na região.

"A liberação dos territórios ocupados temporariamente pela força levará inevitavelmente à morte de um grande número de civis e baixas militares, o que é inaceitável para a Ucrânia", afirmou Ruslan Khomchak, comandante das Forças Armadas ucranianas, em um comunicado.

A Ucrânia apoia uma solução "política e diplomática" para recuperar os territórios que perdeu desde o início deste conflito em 2014, destacou, denunciando "uma campanha de desinformação" liderada pela Rússia, com "alegações" que afirmam que o governo ucraniano estava planejando uma ofensiva.

A Ucrânia teme que o Kremlin, amplamente considerado o patrocinador militar dos separatistas apesar de negar, busque um pretexto para desencadear uma invasão.

O governo ucraniano e os ocidentais criticaram nos últimos dias a Rússia por ter concentrado tropas na fronteira ucraniana e na anexada península da Crimeia, enquanto os incidentes armados no leste são quase diários.

Desde o início do ano, 26 militares ucranianos foram assassinados nessa região, segundo Kiev.

Os separatistas das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk informaram a perda de pelo menos vinte de seus militares no mesmo período.

Em comparação, a Ucrânia perdeu 50 soldados na região em 2020.

Diante das preocupações, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski se deslocou para o front nestas quinta e sexta-feira, passando a noite com os militares.

- Apoio do Ocidente -

A Rússia acusa a Ucrânia de preparar uma ofensiva contra os rebeldes, ameaçando resgatar a população das áreas separatistas, onde foram distribuídos centenas de milhares de passaportes russos.

"O comportamento da parte ucraniana cria o risco de combates em grande escala", afirmou nesta sexta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

"Caso se iniciem os combates e se repita uma catástrofe humanitária semelhante na Srebrenica, nem um só país do mundo ficará à margem (...), incluindo a Rússia", acrescentou, referindo-se ao genocídio de 1995 na Bósnia.

A Ucrânia recebeu o apoio da chanceler alemã Angela Merkel, que "pediu que se reduza a presença militar russa no leste da Ucrânia" para permitir uma distensão, em uma conversa telefônica na quinta-feira com o presidente russo Vladimir Putin.

Os Estados Unidos se declararam "cada vez mais preocupados com a recente escalada dos ataques russos no leste da Ucrânia".

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que o número de militares russos na fronteira da Ucrânia nunca foi tão alto desde o início do conflito em 2014.

Os Estados Unidos vão enviar dois navios de guerra ao Mar Negro através do estreito de Bósforo, segundo o ministério turco das Relações Exteriores, uma ação que poderia irritar Moscou neste contexto de tensões sobre a Ucrânia.

O governo russo afirma que seus movimentos de tropas não representam nenhuma ameaça. "A Rússia é livre para tomar medidas para garantir sua segurança" contra a "situação explosiva" na Ucrânia, afirmou Peskov nesta sexta-feira.

A porta-voz da diplomacia russa Maria Zakharova alegou que Berlim e Paris foram "impotentes" porque, em sua opinião, não conseguiram fazer com que Kiev respeitasse os acordos de paz de 2015.

A guerra em Donbass começou em abril de 2014, depois de uma revolução pró-ocidental na Ucrânia que também foi seguida pela anexação por Moscou da península ucraniana da Crimeia.

Este conflito causou mais de 13.000 mortes e cerca de 1,5 milhão de deslocados. A intensidade dos combates diminuiu consideravelmente depois dos acordos de paz de Minsk em 2015.

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