Ucrânia diz ter iniciado ofensiva contra forças russas no sul

Moradores em frente a uma casa destruída após bombardeio em Mykolaiv, na Ucrânia

KIEV (Reuters) - As tropas ucranianas, reforçadas por novos fornecimentos de auxílio militar do Ocidente, iniciaram uma esperada contraofensiva para retomar território invadido pela Rússia no sul do país, informou o Comando Militar do Sul da Ucrânia, nesta segunda-feira.

A Rússia reconheceu que uma nova ofensiva havia sido iniciada, mas afirmou que a ação havia fracassado, e que os ucranianos teriam sofriado baixas significativas.

A cidade portuária de Mykolaiv, enquanto isso, foi fortemente bombardeada pelas forças russas, e seu prefeito afirmou que casas foram atingidas e que pelo menos duas pessoas foram mortas.

A ofensiva acontece após semanas de relativa estagnação na guerra, que começou no dia 24 de fevereiro quando as tropas russas adentraram o território ucraniano. O conflito assentou e se tornou uma guerra de exaustão, principalmente nas regiões sul e leste do país, marcada por bombardeios de artilharia e ataques aéreos.

"Hoje começamos ações ofensivas em várias direções, inclusive na região de Kherson", disse a porta-voz do comando do sul Natalia Humeniuk, segundo a emissora pública ucraniana Suspilne. Ela confirmou a notícia minutos depois em um briefing.

A Ucrânia tem utilizado armamentos sofisticados, fornecidos pelo Ocidente, para atingir depósitos de munição e rotas logísticas da Rússia, e o governo tem falado sobre uma contraofensiva planejada em suas regiões do sul ocupadas pela Rússia há dois meses.

Humeniuk disse que os recentes ataques da Ucrânia nas rotas logísticas do sul da Rússia "inquestionavelmente enfraqueceram o inimigo", acrescentando que mais de 10 depósitos de munição russos foram atingidos na última semana.

No entanto, ela se recusou a dar mais detalhes sobre a nova ofensiva.

"Qualquer operação militar precisa de silêncio", disse ela, acrescentando que as forças da Rússia no sul são "bastante poderosas" e foram construídas ao longo do tempo.

O governador da Crimeia, Sergei Aksyonov, minimizou o anúncio como "propaganda ucraniana".

(Reportagem de Max Hunder)

((Tradução Redação São Paulo))

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