Ucrânia e Rússia assinarão na sexta acordo que libera exportação de grãos ucranianos, diz Turquia

A Turquia anunciou que Rússia e Ucrânia firmarão, na sexta-feira, um acordo que poderá permitir as exportações de grãos através do Mar Negro e liberar milhões de toneladas de alimentos hoje estocados em portos ucranianos.

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Segundo o comunicado emitido pela Presidência turca, além dos representantes dos dois lados, estarão presentes o líder da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o secretário-geral da ONU, António Guterres. Não houve declarações oficiais por parte dos governos russo ou ucraniano sobre um eventual acerto.

Hoje, os envios de alimentos produzidos pelos ucranianos através de seus portos estão virtualmente congelados devido a um bloqueio naval imposto pelos russos desde o início da invasão. Com isso, estima-se que cerca de 25 milhões de toneladas de itens como trigo, milho e óleo de canola estejam em silos, impedidos de seguir para dezenas de países.

Segundo a ONU, o bloqueio ajudou a elevar os preços dos alimentos ao redor do mundo, e ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas, especialmente em países pobres, que dependem dos produtos ucranianos.

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Havia a expectativa de que o acordo fosse anunciado na quarta-feira, quando o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, se reuniram em Teerã — ao ser questionado sobre o tema, Putin declarou que ainda havia pontos em aberto nas conversas.

Russos e ucranianos trocam acusações sobre quem seria o principal responsável pela suspensão do tráfego em parte do Mar Negro. Kiev afirma que o bloqueio naval imposto pelos russos é uma ameaça a todas as embarcações, que poderiam ser consideradas “inimigas” e alvejadas pelos mísseis.

Já Moscou aponta que os ucranianos instalaram minas navais perto de sua costa, com o intuito de impedir uma invasão de tropas pela costa, e que desarmar tais explosivos demanda tempo e condições adequadas. A Rússia também queria garantias de que a exportação de seus grãos e insumos agrícolas, como fertilizantes, não estaria sujeita a sanções internacionais — na quinta-feira, a União Europeia, que não participa das conversas, publicou uma série de regras detalhando que esses itens estão livres de qualquer tipo de medida econômica relacionada à guerra.

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Segundo diplomatas, o plano que deve ser assinado na sexta-feira prevê a criação de corredores seguros para a passagem dos navios pelo Mar Negro, além da declaração de um cessar fogo nestas áreas.

Em uma demanda feita pela Rússia, os navios comerciais que estejam a caminho do porto de Odessa, no Sul da Ucrânia, serão inspecionados para garantir que não estejam levando armas a bordo — a região ainda está sob controle das forças ucranianas, e essas inspeções seriam feitas pela Turquia. Ainda está prevista a criação de um centro de coordenação, baseado em Istambul, com a participação de especialistas da ONU em navegação marítima.

Na semana passada, a Turquia anunciou que um acordo em princípio havia sido acertado entre Ucrânia e Rússia, e que faltavam apenas alguns detalhes técnicos para que ele fosse assinado. Na ocasião, Guterres disse que aquele era um “passo crítico à frente” para que as exportações fossem retomadas.

— Hoje [13 de julho] é um passo importante e substancial para que obtenhamos um acordo compreensivo — disse a repórteres, em Nova York, ressaltando que ainda havia um “longo caminho pela frente” para que a paz seja obtida.

O governo dos EUA, que não participou das conversas, elogiou o anúncio do acordo, mas manteve o tom elevado em relação aos russos.

— Acolhemos com satisfação o anúncio do acordo, mas agora estamos concentrados em pressionar a Rússia para que aplique esse pacto, e permita que os grãos ucranianos cheguem aos mercados internacionais — disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, a jornalistas. — Em primeiro lugar, jamais deveríamos estar em uma situação como essa. Foi uma decisão deliberada de transformar os alimentos em uma arma.

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