Ucrânia, energia e reformas dominam discurso sobre Estado da UE

A guerra na Ucrânia foi central no discurso sobre o Estado da União Europeia pela Presidente da Comissão Europeia, esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo.

Ursula von der Leyen chegou acompanhada pela primeira dama da Ucrânia, Olena Zelesnska, que recebeu uma ovação de pé. Von der Leyen deixou claro que a Europa permanecerá unida no apoio a este país, com dinheiro e armas. Também sublinhou que as sanções contra a Rússia vão continuar.

"Esta é uma guerra contra a nossa energia, a nossa economia, os nossos valores e o nosso futuro. Trata-se aqui de autocracia contra a democracia. E eu estou aqui com a convicção de que, com coragem e solidariedade, Putin falhará e a Europa prevalecerá", disse.

A chefe do executivo europeu descreveu os ucranianos como heróis e reconheceu que a União Europeia deveria ter reagido mais cedo: "Uma lição desta guerra é que devíamos ter ouvido aqueles que conhecem (o presidente russo) Putin".

Reforma do mercado de energia

A crise enerética foi outro ponto importante do discurso, tendo anunciado uma reforma do mercado da energia, incluindo a futura dissociação entre os preços do gás e da eletricidade.

Mas a curto prazo defende contribuições para os Estados por parte das empresas de energia com grandes lucros.

"Na nossa economia social de mercado, os lucros são bons. Mas nos tempos que correm é errado receber receitas recordes e lucros extraordinários, beneficiando da guerra e nas costas dos nossos consumidores. Nos tempos que correm, os lucros devem ser partilhados e canalizados para aqueles que mais deles precisam", acrescentou von der Leyen.

Luta contra a corrupção

A proposta que recebeu mais aplausos dos eurodeputados foi a da luta contra a corrupção e a defesa do Estado de direito: "Se queremos ser credíveis quando pedimos aos países candidatos que fortaleçam as as suas democracias, devemos também erradicar a corrupção na nossa casa", afirmou.

Foram enumeradas uma série de propostas para apoiar as pequenas e médias empresas, assim como fortes investimentos no hidrogénio e na independência na aquisição de matéria-primas

Esses são elementos-chave para reduzir a dependência do estrangeiro e exigem novos parceiros internacionais de confiança, numa alusão velada à China, adversário que atualmente processa mais de 90% das matérias-primas, incluindo metais centrais para produtos tecnológicos.