Ucrânia espera retomar exportações de cereais "esta semana"

© DADO RUVIC

A Ucrânia espera retomar as exportações de grãos "a partir desta semana" pelo porto de Odessa, no sul do país. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (25), mesmo após o ataque com mísseis russos no local, ocorrido no último sábado (23). A ofensiva não representa um obstáculo às exportações de grãos ucranianos e à implementação do acordo assinado com o apoio da ONU, afirmou, por sua vez, o Kremlin.

“Esperamos que o acordo comece a funcionar nos próximos dias e que um centro de coordenação seja montado em Istambul. Estamos preparando tudo para começar esta semana”, garantiu o ministro da Infraestrutura ucraniano, Oleksandr Kubrakov, em entrevista coletiva.

Segundo ele, o principal obstáculo para a retomada das exportações é o risco de bombardeios russos, como os que atingiram a infraestrutura do porto de Odessa, no Mar Negro, durante o fim de semana. Oleksandr Kubrakov pediu aos apoiadores do acordo para a retomada das exportações, a Turquia e a ONU, que possam garantir a segurança dos comboios ucranianos. "Se as partes não garantirem a segurança, não vai funcionar", alertou.

As exportações de cereais também são prejudicadas pela presença de minas marítimas, disseminadas pelas forças ucranianas para se proteger contra um ataque anfíbio russo. De acordo com o ministro, a desminagem só deve acontecer “no corredor necessário às exportações”.

Navios ucranianos acompanharão os embarques não apenas de grãos, mas também de fertilizantes, acrescentou. O vice-ministro de Infraestrutura da Ucrânia, Yuri Vaskov, especificou que o porto de Chornomorsk será o primeiro a operar para exportação, seguido pelo de Odessa e depois pelo de Pivdenny, localizado na cidade de Youzhne, todos no sudoeste do país.

"Nas próximas duas semanas, estaremos tecnicamente prontos para realizar exportações de grãos de todos os portos ucranianos", disse ele. As exportações de cereais da Ucrânia, das quais até 25 milhões de toneladas estão retidas no país desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, são cruciais para a segurança alimentar global.

Kremlin defende a viabilidade das operações de exportação

De acordo com Moscou, os bombardeios "visam apenas a infraestrutura militar e não as instalações utilizadas para a implementação do acordo de exportação de grãos", estimou, nesta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. “Por isso não pode e não deve interferir no início do processo de carregamento”, acrescentou ele durante o comunicado diário, por telefone, à imprensa.

O ataque com mísseis que atingiu o porto de Odessa aconteceu um dia após a assinatura do acordo envolvendo Rússia, Ucrânia, Turquia e ONU para permitir a exportação de cereais estocados. O objetivo é reduzir o risco de crise alimentar mundial.

O acordo assinado na última sexta-feira (22) em Istambul prevê o estabelecimento de corredores seguros para permitir a circulação no Mar Negro de navios mercantes e a exportação de 20 a 25 milhões de toneladas de cereais bloqueados na Ucrânia.

Cerca de 90% das exportações de trigo, milho e girassol da Ucrânia eram realizadas por via marítima, principalmente via Odessa, o principal porto ucraniano no Mar Negro e que concentrava, antes da guerra, 60% da atividade portuária do país.

(Com informações da RFI e da AFP)

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