Ucrânia lamenta 'indecisão' do Ocidente sobre tanques pesados

A Ucrânia lamentou, neste sábado (21), a "indecisão" de seus aliados ocidentais em fornecer tanques pesados modernos em sua guerra com a Rússia, e alguns cobram diretamente da Alemanha, em um momento que a Rússia está na ofensiva.

"A indecisão desses dias mata nossos concidadãos ainda mais", disse o conselheiro presidencial ucraniano Mikhailo Podoliak em um tuíte.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, lamentou as incertezas de seus aliados. Porém disse estar convencido de que eles "não terão outra alternativa" a não ser entregar tanques modernos para fortalecer a resistência à invasão russa, que começou há quase onze meses.

Em uma forma incomum de pressão pública, os ministros das Relações Exteriores dos países bálticos pediram à Alemanha que entregue "desde já" tanques pesados Leopard para a Ucrânia, invocando a "responsabilidade especial" do país como "primeira potência" da União Europeia. A Alemanha reluta em enviar esses tanques para a Ucrânia ou em permitir que os países que os possuem o façam.

Recentes relatos divulgados na imprensa indicaram que Berlim só concordaria em realizar as entregas se os Estados Unidos também enviassem seus tanques Abrams. Mas Washington também se recusa a fazê-lo, alegando razões de manutenção e formação.

Representantes de cerca de 50 países se reuniram, na sexta-feira, na base americana em Ramstein, na Alemanha, sem chegar a um acordo sobre o envio de tanques pesados.

A Rússia afirmou, por sua vez, que a eventual entrega deste material não mudará nada no front e acusou os ocidentais de manterem a "ilusão" de uma vitória  ucraniana no conflito.

Mas para muitos especialistas, o uso de tanques pesados modernos pode favorecer a Ucrânia no leste, onde a Rússia retomou a iniciativa militar após sofrer uma série de contratempos.

- Homenagem -

A Rússia anunciou neste sábado que realizou exercícios de defesa aérea na região de Moscou, capital do país, para proteger suas infraestruturas críticas, em caso de “ataques aéreos”. O ministério não detalhou a data exata em que aconteceram os treinamentos.

A Rússia foi alvo de vários ataques em suas regiões fronteiriças nos últimos meses, pelos quais responsabiliza a Ucrânia.

Em Kiev, Zelensky e sua esposa participaram, neste sábado, do funeral do ministro do Interior, Denis Monastirski, que morreu em um acidente de helicóptero na quarta-feira, junto com outras 13 pessoas.

O ato ocorreu em um prédio próximo à praça Maidan. Um cortejo de militares levou ao local sete caixões cobertos por uma bandeira ucraniana.

“Glória aos nossos heróis!”, gritaram em coro os presentes, entre eles familiares das vítimas e vários líderes ucranianos.

"A Ucrânia perde seus melhores filhos e filhas todos os dias", lamentou Zelensky após a cerimônia.

- Ofensiva russa em Zaporizhia -

O exército russo afirmou, por sua vez, que suas tropas lançaram, neste sábado, uma ofensiva na região ucraniana de Zaporizhia (sul), onde os combates se intensificaram após meses sem movimentação no front.

As forças russas relataram "operações ofensivas" na região e afirmaram que "assumiram linhas e posições mais vantajosas".

As tropas ucranianas indicaram em seu boletim matinal que houve confrontos em uma dezena de cidades da região na sexta-feira.

Atualmente, os maiores confrontos acontecem na região de Donetsk (leste).

As tropas russas concentram sua ofensiva em Bakhmut há semanas, com o apoio do grupo paramilitar Wagner, designado pelos Estados Unidos como uma "organização criminosa" internacional.

Um alto funcionário americano afirmou que o exército ucraniano não deveria tentar defender Bakhmut a todo custo, mas sim se concentrar em preparar uma grande contra-ofensiva.

Mas a cidade tornou-se um símbolo maior do que a sua importância estratégica.

Zelensky visitou recentemente a linha de frente para encorajar suas tropas. A Rússia, por sua vez, está ansiosa para conquistar esta cidade e deixar para trás os reveses dos últimos meses.

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