Ucrânia pede mais armas antes de reunião-chave de seus aliados

A Ucrânia reivindicou, nesta quinta-feira (19), mais armas para resistir à invasão russa e urgiu seus aliados a "deixarem de tremer" diante do presidente da Rússia, Vladimir Putin, na véspera de uma reunião de países ocidentais sobre a ajuda a Kiev.

Os ministros de Defesa e Relações Exteriores da Ucrânia, Oleksii Reznikov e Dmytro Kuleba, pediram "um reforço considerável" das entregas de armas, incluindo tanques Leopard, de fabricação alemã.

A Rússia, por sua vez, advertiu para o risco de uma escalada "perigosa" se a Ucrânia receber armas de longo alcance, capazes de atingir seu território.

Essa troca de declarações acontece na véspera de um encontro em Ramstein (Alemanha) dos ministros da Defesa e funcionários militares de alto escalão do Grupo de Contato sobre a Ucrânia, integrado por 52 países e liderado pelos Estados Unidos.

Essa reunião discutirá a coordenação da ajuda à ex-república soviética, que resiste à invasão russa há quase 11 meses, e em particular da entrega de blindados pesados e de sistemas modernos de defesa antiaérea.

O Reino Unido já prometeu 14 tanques Challenger 2 e 600 mísseis adicionais do tipo Brimstone. A Dinamarca informou que vai entregar à Ucrânia 19 canhões de longo alcance Caesar e a Suécia anunciou o envio de artilharia de longo alcance Archer.

"É hora de deixar de tremer diante de Putin", afirmou no Twitter o conselheiro da Presidência ucraniana, Mykhailo Podoliyak.

Durante uma visita a Kiev, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse estar convencido de que a Ucrânia receberá os tanques que reivindica.

"Ouvimos o recado. Vocês têm necessidade de mais sistemas de defesa antiaérea e de artilharia e de mais munições" e, em consequência, "deve haver entregas de tanques", tuitou Michel.

"Temos consciência de que as próximas semanas poderão ser decisivas" para a evolução da guerra, acrescentou o presidente do Conselho, uma instância da União Europeia que reúne os chefes de Estado e de governo dos 27 países do bloco.

- Pressão por tanques Leopard -

A pressão se concentra sobre os cobiçados tanques alemães Leopard. Segundo os especialistas, estes equipamentos seriam cruciais nos combates no leste da Ucrânia.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, criticou a hesitação do governo alemão, que, segundo reportagens, estaria disposto a entregar os Leopard se os Estados Unidos enviarem seus poderosos blindados Abrams.

"Há momentos em que você não deve duvidar ou comparar", declarou Zelensky em seu pronunciamento por videoconferência no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

O general americano Christopher Cavoli, comandante das forças aliadas na Europa (Saceur), advertiu, entretanto, que os tanques ocidentais não seriam "uma solução milagrosa" para derrotar a Rússia.

"Nenhum sistema de armas é uma solução milagrosa. É necessário um equilíbrio entre todos os sistemas", afirmou, após uma reunião de chefes militares da Otan em Bruxelas.

As autoridades ucranianas também pedem mísseis de alcance superior a 100 km para que seja possível atingir a cadeia logística dos russos, e especificamente seus depósitos de munições.

Mas os países ocidentais temem uma escalada, apesar das promessas de Kiev, se essas armas forem usadas para atingir o território russo e as bases da península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que dar à Ucrânia tal poder de fogo "é potencialmente muito perigoso" e levaria o conflito para "outro nível que, certamente, não é um bom presságio para a segurança europeia".

- Ofensivas russas -

No front de batalha, as forças russas, apoiadas pelo grupo paramilitar Wagner, intensificam seus esforços para tomar Bakhmut, no oblast (província) de Donetsk, no leste do país, palco de uma violenta batalha que já dura meses.

Nos últimos 15 dias, as tropas russas ganharam um pouco de terreno e conquistaram a localidade vizinha de Soledar, devastada pelos bombardeios.

Além disso, a Rússia anunciou que lançou uma "ofensiva local" na frente sul, perto da cidade de Orikhiv.

Esse setor quase não registrava movimentos desde que os russos se retiraram da cidade de Kherson em novembro.

Nos últimos meses, graças ao armamento ocidental, a Ucrânia impôs uma série de derrotas às forças rusas, retomando territórios importantes no nordeste e no sul do país.

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