Ucrânia perde até 100 soldados por dia no Leste, confirma Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou nesta quinta-feira que perde até 100 soldados por dia no Leste do país, atual epicentro do conflito. É lá que russos e ucranianos travam a batalha pelo controle de Severodonetsk — disputa que, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, irá definir o destino de Donbass, que compreende as regiões de Donetsk e Luhansk.

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O líder ucraniano já havia informado nesta semana, durante uma entrevista ao canal americano Newsmax, que o país perdia de 60 a 100 soldados por dia. Desta vez, seu ministro da Defesa, Oleksiy Reznikov, confirmou as estimativas, dando mais detalhes:

"A situação no front é muito difícil. Todo dia perdemos até 100 soldados e até 500 são feridos", escreveu em seu Facebook, afirmando que o Kremlin também sofre "grandes perdas" e enfrenta uma "poderosa resistência". "Até agora, eles [os russos] têm força para avançar em apenas alguns setores. É importante manter a concentração para a Ucrânia vencer", completou.

O ministro também disse estar "categoricamente insatisfeito" com o volume de armas que países enviados enviaram à Ucrânia, ecoando declarações do governador de Luhansk, Serguei Gaiday. Em uma mensagem postada no Telegram na manhã desta quinta, ele disse que o controle de Severodonetsk pode ser retomado "em dois ou três dias" se tiver acesso à artilharia de "longo alcance".

Mais tarde, em um discurso durante uma premiação da revista Time, Zelensky afirmou que "armas e sanções são uma vacina contra a Covid-22 trazida pela Rússia". Também indagou retoricamente se o presidente Joe Biden e o Congresso americano estão usando todos os recursos disponíveis para ajudar Kiev no confronto, que começou em 24 de fevereiro.

Os ucranianos pedem com insistência ao Ocidente mais armas de longo alcance, afirmando que seria a solução mais fácil para fazer frente aos invasores russos. No início do mês, Biden anunciou o envio à Kiev de quatro dispositivos Himars, lança-foguetes que permitem disparos múltiplos, têm alcance e até 80 km e são instalados em veículos blindados leves.

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As tropas ucranianas enfrentam uma força russa que mudou a estratégia dos avanços precipitados e imprudentes das primeiras semanas da guerra, tentando tomar grandes cidades, como Kharkiv e Kiev. Agora, com maior sucesso, recorrem a enormes bombardeios de artilharia para avançar de forma rastejante e esmagadora.

Desde então, concentram-se no Leste, onde forças separatistas pró-Moscou já ocupavam parte do território desde 2014, quando eclodiu a guerra civil ucraniana. Ainda assim, não tem enfrentado um cenário fácil: em Mariupol, cidade portuária na costa do Mar de Azov, foram necessárias semanas até que as forças russas quebrassem a resistência. Em Severodonetsk, os entraves já duram semanas.

A cidade industrial hoje praticamente destruída não tem grande importância estratégica, mas sua tomada pelos russos, além da vizinha Lysychansk, marcaria a conquista da região de Luhansk por Moscou, uma das suas maiores vitórias no front.

"O silêncio em Severodonetsk dura apenas o tempo das armas serem recarregadas. As disputas nas ruas continuam nos centros regionais", disse o govenador Gaiday no Telegram, chamando as táticas russas de "primitivas". "O inimigo é poderoso em sua cobiça pela zona industrial, que nós controlamos", completou, afirmando que a evacuação de pessoas e o transporte de bens "ainda é impossível".

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Segundo números atualizados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, cerca de 4,8 milhões de ucranianos já foram registrados como refugiados em 44 países europeus desde a eclosão do conflito. Estima-se que o número de pessoas que de fato já deixaram o país seja ainda maior.

Zelensky acusa ainda Moscou de causar uma crise mundial de alimentos com a invasão da Rússia, fazendo um apelo para que a Rússia seja excluída da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), braço da ONU que lidera os esforços para erradicar a fome no mundo. Os portos ucranianos no Mar Negro, que geralmente exportam milhões de toneladas de cereais a cada ano, estão bloqueados desde fevereiro.

— Não pode haver nenhuma discussão sobre prolongar a adesão da Rússia à FAO. O que há para a Rússia fazer se está provocando a fome de pelo menos 400 milhões de pessoas, ou potencialmente mais de um bilhão de pessoas? — disse Zelensky durante uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). — O Mar Negro, que é uma das rotas cruciais no mundo para a exportação de alimentos, está bloqueado pela Marinha russa.

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