Ucrânia perdeu 25% de terras cultiváveis por causa da guerra, diz governo

O Ministério da Agricultura da Ucrânia afirmou ter perdido 25% de todas suas terras cultiváveis por causa da invasão russa, iniciada no final de fevereiro, e sinalizou que a colheita do ano que vem pode ser até 40% menor do que o registrado anteriormente. Mesmo assim, as autoridades dizem que não há risco para a segurança alimentar do país.

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Em entrevista coletiva, Taras Vysotsky, vice-ministro de Políticas Agrárias e Alimentares, disse que “apesar da perda de 25% das terras cultiváveis”, a estrutura por trás da colheita atual é “mais que suficiente para garantir o consumo” da população. A atual temporada de colheita começou no sábado, na região de Odessa (Sul).

— Os agricultores ucranianos conseguiram se preparar relativamente bem para o plantio, antes do início da guerra — declarou. — Em fevereiro, a Ucrânia havia importado cerca de 70% dos fertilizantes necessários, 60% dos produtos fitossanitários e um terço do combustível necessário [para a semeadura].

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Outro fator que garantiria os estoques não é exatamente positivo: de acordo com Vysotsky, “o consumo também diminuiu devido aos deslocamentos em grande escala e às migrações externas”.

Segundo estimativas das Nações Unidas, 7,36 milhões de ucranianos deixaram o país desde o início da guerra, e oito milhões estão abrigados em diferentes regiões da Ucrânia. Muitos já estão retornando para áreas que não estão sob ataque dos russos, como a própria capital, Kiev.

Contudo, Vysotsky revelou à CNN que o conflito deve ter impacto sobre a próxima colheita, a ser iniciada em 2023.

— Perdemos 25% da terra cultivável. Em termos de volume, claro, é bem mais do que isso. Nós estimamos que a colheita deve ser até 35% menor do que em anos anteriores, o que significa algo em torno de 30 milhões de toneladas a menos, quase metade da colheita de anos anteriores — afirmou à rede americana.

Desvio de grãos

O vice-ministro ainda acusou a Rússia de roubar 500 mil toneladas de grãos em áreas conquistadas por seus militares e forças aliadas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk. Nas últimas semanas, o russos vêm sendo acusados de desviar esses produtos para vendê-los, de forma irregular, para clientes ao redor do mundo.

Apesar de Moscou negar as alegações, autoridades de ocupação na região de Zaporíjia, parcialmente sob controle russo, confirmaram que estão enviando grãos para clientes no Oriente Médio e Turquia.

— Estamos mandando os grãos através da Rússia, e os primeiros contratos foram assinados com a Turquia. Os primeiros trens partiram da Crimeia para o Oriente Médio — afirmou o chefe da administração cívico-militar da região ocupada, Yevgeny Balitsky, em entrevista ao canal Russia 24, no dia 8 de junho. — Esse já era um mercado tradicional para a Ucrânia.

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Naquele mesmo dia, o chanceler russo, Sergei Lavrov, fez uma visita à Turquia, e foi questionado por um jornalista ucraniano sobre as acusações de desvio de produtos agrícolas..

— Além de grãos, o que mais a Rússia roubou da Ucrânia?

Lavrov respondeu que “não há um obstáculo ou desafio causado pela Federação Russa” para a exportação de grãos, e abordou outra acusação recorrente feita contra Moscou, relacionada ao bloqueio dos portos ucranianos: para o chanceler russo, “o sr. [Volodymyr] Zelensky [presidente da Ucrânia] precisa dar uma instrução para que os portos possam se tornar seguros”.

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Nesta segunda, o vice-ministro disse que os portos ucranianos estão sendo bloqueados pela Marinha russa, o que impede a saída de navios em direção ao Mar Negro, e não por minas ucranianas.

— O problema ali são os navios militares russos, não é culpa da Ucrânia. Até agora, eles não permitem que as embarcações civis entrem e saiam dos portos ucranianos — declarou.

Na quarta-feira passada, Volodymyr Zelensky afirmou que o bloqueio naval poderia impactar milhões de pessoas pelo mundo — segundo autoridades locais e organizações internacionais, há milhões de toneladas de grãos armazenadas em silos e armazéns, prontas para envio, mas logo não haverá mais espaço para guardar esses produtos.

— A Ucrânia está pronta para cumprir com todas suas obrigações para fornecer a comida necessária para a segurança alimentar mundial. O ponto aqui é muito claro: a Rússia precisa acabar com a guerra — concluiu Vysotsky à CNN, nesta segunda-feira.

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