Ucrânia prepara ofensiva para retomar Kherson, no Sul, e russos querem referendo sobre anexação

Forças ucranianas se preparam para o que pode ser uma das mais ambiciosas operações militares desde o início da invasão russa, em fevereiro: uma grande ofensiva para retomar o controle de Kherson, a primeira grande cidade a ser capturada por Moscou, e onde as autoridades nomeadas pelos ocupantes planejam um referendo sobre uma eventual anexação pela Rússia.

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Nas últimas semanas, as forças de Kiev têm obtido sucessos consideráveis, em grande parte, afirmam comandantes militares locais e analistas, graças às novas armas fornecidas pelo Ocidente, como equipamentos mais modernos de artilharia. Sistemas de foguetes, como o americano Himars, têm provocado estragos nas linhas russas, permitindo que cerca de 15% do território da província de Kherson já esteja sob controle ucraniano.

No momento, os militares estão a cerca de 50 km da cidade de Kherson, que caiu no dia 3 de março, e a confiança no sucesso é tanta que até uma data para a retomada da região foi estabelecida por Kiev.

— Podemos dizer que um ponto de virada aconteceu no campo de batalha. Estamos passando de ações defensivas para ações ofensivas — declarou, no domingo, Serhy Khlan, assistente do governo pró-Kiev de Kherson, em entrevista à TV ucraniana. — Podemos dizer que Kherson será definitivamente liberada em setembro, e todos os planos das forças de ocupação vão fracassar.

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Em declarações ao Guardian, representantes do governo ucraniano acreditam que uma importante falha na estratégia de defesa de Kherson — a não destruição de uma ponte que serve de acesso à cidade — foi crucial para o avanço relativamente simples dos russos. Contudo, apontam, o momento agora é outro: algumas das tropas de Moscou que participaram da ofensiva de março foram enviadas para o Leste da Ucrânia, hoje ponto central da guerra.

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Linhas de suprimentos para as forças russas em Kherson foram eliminadas, incluindo as três pontes que servem de acesso à cidade, de acordo com informações do Instituto para o Estudo da Guerra, de Washington. Segundo um canal do Telegram ligado à administração pró-Rússia, os ataques ucranianos destruíram armazéns, centros de comunicação e bases de retaguarda, com um impacto “devastador e potencialmente irreversível” em ofensivas russas futuras.

O lado russo, por sua vez, diz que as alegações de Kiev não passam de “fantasia”.

— A história de que a região de Kherson voltará para o controle ucraniano, e que haverá uma ofensiva, isso é tudo fantasia. Os nacionalistas [Ucrânia] não têm um Exército profissional regular capaz de se opor às Forças Armadas da Federação Russa — disse Kirill Stremousov, vice-chefe da administração pró-Rússia da região de Kherson, à RIA, no domingo.

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Nesta segunda-feira, Stremousov declarou à Tass que um referendo sobre a anexação de Kherson à Rússia, nos mesmos moldes do realizado na Crimeia, em 2014, deverá ser realizado em breve, com o aval do Kremlin.

— Depois que o referendo for realizado, ela [Kherson] se tornará parte da Federação Russa, será outra história, outro país — disse à Tass, acrescentando que uma votação similar poderá acontecer na província vizinha de Zaporíjia, hoje parcialmente ocupada pelos russos.

Khlan e as forças ucranianas parecem não concordar.

“A Rússia realmente acreditou que seria capaz de realizar um referendo e criar o KPR [República Popular de Kherson] aqui. Com regras e ordens russas”, escreveu ele no Facebook. “Durante quase meio ano o nosso povo tem resistido. As forças de ocupação estão tentando nos conquistar força e mentalmente, mas vamos aguentar e definitivamente venceremos.”

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