Ucrânia tem desvantagem de 1 arma contra 10 russas em alguns casos na batalha pelo Leste, dizem autoridades

Autoridades da Ucrânia declararam que na batalha pelo Donbass, no Leste do país, a desvantagem dos soldados de Kiev em relação aos russos é de uma arma contra 10 em alguns casos, com um conselheiro graduado do presidente Volodymyr Zelensky detalhando, pela primeira vez, a quantidade de ajuda que precisariam receber do Ocidente.

Em entrevista ao New York Times, Mykhailo Podolyak disse que a Ucrânia precisava de 300 sistemas móveis de lançamento múltiplo de foguetes, mil howitzers, 500 tanques, 2 mil blindados e mil drones para alcançar paridade com a Rússia no Donbass, onde os confrontos se concentram — números muitas vezes acima do que tem sido discutido publicamente no Ocidente.

Podolyak detalhou o número antes de que os ministros da Defesa da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar liderada pelos EUA) se reúnam em Bruxelas nesta semana.

Na entrevista de segunda ao Times, o conselheiro graduado de Zelensky também especulou que os governos ocidentais estão enviando de forma lenta ajuda militar com a esperança de que a Rússia e a Ucrânia concordem com um cessar-fogo, mesmo que isso signifique a cessão de território por Kiev.

As declarações foram feitas no mesmo dia em que Zelensky afirmou que a luta da Ucrânia para defender o Donbass "ficará marcada na história militar como uma das mais brutais batalhas na Europa e pela Europa".

Em um discurso transmitido no fim da noite de segunda-feira pelo Telegram, Zelensky reiterou sua convicção de que a Ucrânia sairá vencedora, citando várias regiões sob ocupação russa em todo o país, incluindo as cidades de Kherson, Melitopol e Mariupol, e prometendo que as forças de Kiev vão libertá-las.

Os esforços de Zelensky para retratar a invasão da Rússia como um momento definidor na História europeia ecoa uma estratégia retórica que ele usa livremente com líderes mundiais, frequentemente com grande sucesso. Ele mencionou a história da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, ao fazer um pronunciamento perante o Parlamento britânico que relembrou os legisladores dos dias difíceis quando o Reino Unido enfrentou a Alemanha nazista.

A estratégia da “hora mais escura” às vezes foi um tiro no pé: Zelensky, que é judeu, foi alvo de críticas de alguns legisladores israelenses em março, quando fez paralelos entre o sofrimentos dos ucranianos durante a guerra e o enfrentado pela população judia durante o Holocausto.

O discurso de Zelensky na noite de segunda, entretanto, forneceu dolorosos detalhes concretos sobre as devastadoras consequências da guerra.

Segundo ele, um bombardeio russo matou um menino de 6 anos em Lysychansk, cidade no Leste da Ucrânia sob controle de Kiev e que fica do lado oposto do rio Donetsk à vizinha Severodonetsk, epicentro atual do conflito e que teve destruídas as três pontes que a ligam à parte controlada pela Ucrânia.

Os residentes de Lysychansk vivem sob ataque e sem itens básicos enquanto os duros confrontos transcorrem em Severodonetsk. No início de junho, a ONU afirmou que, em média, ao menos duas crianças morrem diariamente desde o início da guerra, em 24 de fevereiro.

Segundo Zelensky, o humano de combates em Severodonetsk é "assustador":

— O custo humano dessa batalha é muito alto para nós. É simplesmente assustador — disse Zelensky, que em 1º de junho revelou que o Exército perdia "entre 60 e 100 soldados" por dia. — Estamos enfrentando a maldade absoluta — completou.

O discurso de Zelensky também enfatizou, como vem fazendo quase todo o dia, a necessidade da Ucrânia por mais armas dos aliados ocidentais.

Zelensky pareceu fazer alusão às acusações de Podolyak, dizendo, em seu discurso, que libertar os territórios ocupados pela Rússia "apenas necessita de armas suficientes".

— Os parceiros as têm — disse. — Em quantidades suficientes. E trabalhamos diariamente pela vontade política para fazer com que essas armas apareçam.

Os Estados Unidos e seus aliados forneceram cerca de 100 howitzers e dezenas de armas de artilharia de autopropulsão, e o governo Biden prometeu enviar sistemas de lançamento múltiplo de foguetes no mês passado.

Nesta quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd J. Austin III, deve participar de um encontro com o chamado Grupo de Contato de Defesa da Ucrânia para discutir mais ajuda a Kiev.

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