UE abre negociações de adesão com Albânia e Macedônia do Norte

A Albânia e a Macedônia do Norte deram mais um passo rumo à União Europeia, que iniciou nesta terça-feira as negociações de adesão dos países ao bloco, após anos de decepções e contratempos — a Macedônia do Norte é candidata desde 2005 e a Albânia desde 2014

— É um momento histórico — destacou a presidente do Executivo europeu, Ursula Von der Leyen, em entrevista coletiva em Bruxelas com os líderes da Albânia e Macedônia do Norte. — É o que seus cidadãos esperam há tanto tempo e é o que eles merecem.

Análise: Com ação conjunta, União Europeia tenta enfrentar crise e planeja futuro do bloco

Leia também: Comissão Europeia recomenda candidatura oficial da Ucrânia à UE

Os 27 países da União Europeia concordaram na segunda-feira em iniciar as negociações, um dia após a assinatura de um protocolo histórico entre Macedônia do Norte e Bulgária que eliminou os últimos obstáculos para a adesão ao bloco.

— Este não é o começo do fim, mas o fim do começo — disse o primeiro-ministro albanês Edi Rama, parafraseando Winston Churchill, para enfatizar as muitas dificuldades ainda a serem superadas pelos dois candidatos.

Direitos humanos: União Europeia leva Hungria à Justiça por lei anti-LGBT+

Como parte do acordo, a Macedônia do Norte prometeu mudar sua Carta Magna, uma ambição que, no entanto, se mostra espinhosa. Para modificá-la, é necessária uma maioria de dois terços dos 120 deputados, o que atualmente não está disponível, e dada a forte oposição da direita nacionalista, a tarefa pode causar instabilidade política e mais problemas.

Além disso, será preciso vencer a falta de entusiasmo da população macedônia depois de 17 anos de espera, disse o presidente Stevo Pendarovski. Segundo ele, a demora alimentou vozes anti-europeias e tem provocado tumultos no país — nas últimas semanas, milhares de pessoas lideradas pela oposição de direita nacionalista se manifestaram contra qualquer novo compromisso com a Bulgária e a UE.

Investimentos e empréstimos: Conheça os 10 pontos principais do acordo de reconstrução pós-pandemia da União Europeia

Em 2018, a Macedônia do Norte já havia encerrado uma disputa com a Grécia ao concordar em mudar de nome, abrindo as portas para a Otan. Mas as da UE ainda estavam fechadas devido a um veto da Bulgária por razões históricas e culturais. A posição da Bulgária também impediu o início das negociações com a Albânia, que a UE vinculou às da Macedônia do Norte.

"A proposta, como está atualmente, pode levar ao oposto, ou seja, mais estagnação, frustração e até desestabilização", escreveram o ex-chanceler Nikola Dimitrov e o analista Florian Bieber em um editorial na semana passada.

Pendarovski alertou, no entanto, que abandonar o futuro na União Europeia deixaria seu pequeno país totalmente vulnerável aos ventos geopolíticos em um mundo cada vez mais polarizado. De acordo com o presidente, se a Macedônia do Norte e os outros países balcânicos ficarem fora da UE, a região se tornará um "ponto fraco" exposto a "potências malignas" como a Rússia, alertou.

De todo modo, as negociações com a UE serão longas e a adesão terá de ser ratificada pelos 27 membros da UE, inclusive por meio de referendo em alguns Estados. Os candidatos devem assumir as obrigações inerentes à adesão e dispor de uma economia de mercado funcional capaz de enfrentar a pressão competitiva dentro do bloco.

Outros dois países do Balcãs que negociam sua adesão à UE são a Sérvia, desde 2014, e Montenegro, desde 2012. A Turquia negocia desde 1999, mas as negociações estão "paradas" desde 2019 devido à deriva autocrática do presidente Recep Tayyip Erdogan e às disputas diplomáticas com a Grécia e outros Estados-membros.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos