UE acelera plano anticovid, mas OMS descarta imunidade coletiva em 2021

Danny KEMP con las oficinas de la AFP en el mundo
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Portugal é um dos países europeus que enfrentam um duro teste pra seus sistema de saúde pelo aumento dos casos de contágio

A União Europeia (UE) iniciou, nesta terça-feira (12), o processo para autorizar sua terceira vacina contra a covid-19, embora os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) tenham alertado que as campanhas de vacinação em massa serão insuficientes para garantir a imunidade de rebanho em 2021.

Sob pressão devido aos longos processos de aprovação e à lenta implantação das campanhas de vacinação, a UE prometeu um cronograma "acelerado" para autorizar, nos 27 países do bloco, a vacina desenvolvida pela empresa AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

Depois de receber o pedido da AstraZeneca e da Universidade de Oxford, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) disse hoje que sua decisão sobre esta vacina deve sair até 29 de janeiro. Este imunizante já se encontra em uso em outros países, como o Reino Unido.

Em meio à implantação de planos nacionais de vacinação para limitar as mortes e as consequências econômicas do vírus, a OMS jogou um balde de água fria, porém, ao afirmar que essas campanhas em massa são insuficientes para alcançar a imunidade coletiva ainda em 2021.

"Não vamos atingir nenhum nível de imunidade da população, ou de rebanho em 2021", afirmou ontem a chefe da equipe científica da OMS, Soumya Swaminathan, ao falar desta doença que infectou mais de 90 milhões de pessoas em todo mundo e matou quase dois milhões.

Os Estados Unidos são o país com mais mortes (mais de 376.000) no mundo, seguidos de Brasil (mais de 203.000), Índia (mais de 151.000) e México (mais de 134.000). A situação também está piorando em outras regiões, como a Europa, com hospitais à beira da saturação, ou na Ásia.

O governo da Malásia declarou estado de emergência nesta terça, afirmando temer que seus sistemas de saúde se vejam sobrecarregados, enquanto China e Japão adotara medidas contra focos localizados de contágio.

Nesta terça, a China acrescentou uma cidade de cinco milhões de habitantes ao crescente confinamento, em uma área perto de Pequim, dois dias antes de os especialistas da OMS chegarem a Wuhan para investigar a origem do novo coronavírus.

- Evento 'supertransmissor' -

Do outro lado do Pacífico, as críticas dos congressistas americanos pelas ações de alguns de seus pares durante o ataque ao Capitólio na semana passada aumentam a já palpável tensão sobre a transferência do poder do republicano Donald Trump para o democrata Joe Biden.

Os congressistas foram obrigados a se refugiar em salas seguras, enquanto seguidores do presidente Trump vagavam pelos corredores do prédio. Alguns dos políticos testaram positivo para coronavírus e culparam seus colegas.

"Muitos republicanos se recusaram a tomar precauções mínimas contra a covid-19 e usar uma simples máscara em uma sala lotada no meio de uma pandemia, gerando um evento supertransmissor em meio a um ataque terrorista nacional", criticou a democrata Pramila Jayapal, que disse o Twitter ter dado positivo, após essa exposição.

Ela se colocou voluntariamente em quarentena.

Também informaram estarem infectados a representante demcrata Bonnie Watson Coleman e o representante republicano Jake LaTurner.

Joe Biden, que já se comprometeu a não poupar recursos para lutar contra a pandemia, recebeu ontem a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech, a primeira aprovada em países ocidentais.

O laboratório alemão BioNTech aumentou sua estimativa de produção da dose de vacina até o final de 2021, para dois bilhões, mas alertou que a covid-19 pode se tornar uma doença endêmica e que serão necessárias vacinas para as novas cepas.

- Calendários esportivos revistos -

Para além das consequências sanitárias, a pandemia continua afetando o mundo do esporte, com calendários revistos e reuniões de crise na ordem do dia.

Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio negaram as especulações de que o evento programado para julho e agosto deste ano está prestes a ser cancelado, em um momento de crescente queda do apoio da opinião pública nas pesquisas.

"Quero dizer que não pensamos assim, de forma alguma, e que essas matérias são falsas", disse o diretor-gerente do comitê administrativo, Toshiro Muto.

Hoje, a Fórmula 1 anunciou, por sua vez, uma grande reorganização do calendário para a próxima temporada, que começará no Bahrein, em 28 de março, após adiar o Grande Prêmio da Austrália para 21 de novembro. O GP da China também foi adiado, mas sem data.

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