UE acompanha com expectativa a eleição presidencial francesa

Por Clément ZAMPA
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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em Bruxelas, em 1º de março de 2017

A extremista de direita Le Pen os assusta, o social-liberal Macron os fascina, o conservador Fillon os incomoda. Na capital da União Europeia (UE), dirigentes e diplomáticos acompanham a disputada eleição presidencial francesa com candidatos pró e antieuropeus à frente nas pesquisas.

"Se há alguém que representa um risco real e identificado é (Marine) Le Pen, que defende a saída da zona do euro e da União Europeia após um eventual referendo", reconhece uma fonte do Conselho da UE, a instituição que representa os 28 países do bloco.

Apesar da Comissão Europeia evitar "entrar em um debate nacional", nas palavras de seu porta-voz Margaritis Schinas, a liderança da candidata de ultradireita em algumas pesquisas do primeiro turno obrigou o Executivo comunitário a romper seu silêncio.

Se Le Pen vencer, "vestirei uma roupa de luto", prometeu o presidente da Comissão, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, enquanto o comissário europeu de Assuntos Econômicos, o francês Pierre Moscovici, disse que "votar em Le Pen é abandonar o euro (...) uma loucura mortífera".

O candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, considerado em Bruxelas alguém próximo ao partido Syriza, que está no poder na Grécia, não gera os mesmos temores.

"A partir do momento em que é democrata e não é completamente antieuropeu, vamos administrar", afirmou a fonte do Conselho da UE.

- 'Renovação do motor franco-alemão' -

A eleição presidencial na França, um dos países fundadores do bloco e um de seus principais pilares ao lado da Alemanha, acontece em um momento no qual os dirigentes tentam dar um novo impulso à UE, após a decisão dos britânicos de abandonar o bloco, o que deve acontecer em 2019.

"Apesar da preocupação inicial de emendar o Brexit, Trump e uma (eventual) eleição de Le Pen na França, as eleições na Holanda em março, onde a extrema-direita terminou em segundo lugar, tranquilizaram os ânimos", destaca um diplomata francês.

Isto não evita que a campanha eleitoral francesa, com suas viradas inesperadas, investigações judiciais e resultados das pesquisas, deixe a capital da UE com a respiração presa.

"Não param de falar sobre a eleição presidencial", revela um diplomata.

E, em um contexto de preparativos para as negociações do Brexit, o candidato centrista Emmanuel Macron, o mais pró-europeu dos 11 candidatos, provoca "fascínio" em Bruxelas, ainda mais porque sua vitória "poderia representar uma renovação do motor franco-alemão", completa.

O candidato do partido 'En Marche!' e ex-ministro da Economia durante o governo do atual presidente, o socialista François Hollande, entre agosto de 2014 e agosto de 2016, foi um dos poucos candidatos a viajar em outubro a Bruxelas.

Na capital belga, Macron participou em um debate público ao lado da comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, mas não conseguiu uma reunião com o presidente da Comissão Europeia. Os dois, no entanto, se encontraram em Paris em duas oportunidades, segundo uma fonte europeia.

O centrista se tornou, assim, um dos candidatos "frequentáveis" pela Comissão. Juncker, do conservador Partido Popular Europeu (PPE), também se reuniu com o candidato conservador François Fillon em dezembro e com o socialista Benoît Hamon em março.

Apesar de o programa de Fillon, cujo partido Os Republicanos pertence também a nível europeu ao PPE, ser "bem visto" pelas instituições do bloco, a investigação judicial que o afeta provoca "dúvidas sobre os costumes políticos franceses", aponta Charles de Marcilly, analista da Fundação Schuman.

De acordo com uma fonte do PPE, alguns eurodeputados estrangeiros e franceses preferem Macron. O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, admitiu que votaria nele se fosse francês. O candidato centrista também se reuniu com a chanceler alemã Angela Merkel.

De Marcilly acredita que Bruxelas está satisfeita com as candidaturas de Fillon e Macron, por considerá-los capazes de realizar as reformas para permitir à França respeitar os rígidos critérios orçamentários da UE.