Caminhoneiro que causou morte de 10 imigrantes é condenado a prisão perpétua

Austin (EUA), 20 abr (EFE).- O motorista que deixou 39 imigrantes trancados da carroceria de seu caminhão, provocando a morte de deles deles asfixiados, foi condenado nesta sexta-feira por um tribunal do Texas, nos Estados Unidos, a prisão perpétua.

James M. Bradley, de 61 anos, também considerado culpado pelo crime de tráfico de pessoas, não poderá pagar fiança para deixar a prisão, informou o Departamento de Justiça dos EUA em nota.

Em junho de 2017, Bradley tinha saído da cidade de Laredo, na fronteira com o México, e se envolveu em um leve acidente. O motorista então estacionou o veículo nos arredores de San Antonio, deixando presos no baú do caminhão.

As autoridades revelaram que ao abrir o compartimento em resposta aos socos que os imigrantes davam na carroceira, oito deles já estavam mortos. Mais dois morreriam horas mais tarde no hospital. Os demais ficaram em estado grave, afetados pelo calor severo.

"Estou muito arrependido. Não há dia ou noite na qual eu não reviva aquela cena", disse Bradley no julgamento.

Os agentes da Polícia de San Antonio que realizaram a prisão contaram que as pessoas estavam umas em cima das outras, algumas delas sobre os corpos de outros imigrantes mortos.

O compartimento também estava cheio de "urina, vômitos e sangue". Os policiais descreveram a situação como "cheiro de morte".

Em comunicado, o promotor John Bash afirmou que a condenação mostra que o tráfico de estrangeiros é um crime perigoso com vítimas reais e que o governo dos EUA buscará justiça para todos que forem alvos desse crime, sem se importar com o status legal.

O jornal San Antonio Express-News publicou uma declaração da irmã de Bradley, Audrey Washington. No texto, ela expressa a tristeza da família pela tragédia e diz estar preocupado com a saúde do irmão.

"James tem a perna direita amputada e sofre com diabetes tipo 2. Os médicos nos informaram que ele tem entre 5 e 7 anos de vida", disse Audrey sobre a sentença que condenou o irmão.

A defesa usou a questão de saúde e a falta de estudos de Bradley, que deixou a escola quando criança, para tentar diminuir a pena.

No entanto, o juiz do distrito, David Alan Erza, considerou que a conduta de Bradley foi "extrema" e o condenou a prisão perpétua. EFE