UE acredita em acordo nuclear rápido com o Irã

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, expressou nesta quarta-feira (31) sua confiança de que o novo acordo nuclear com o Irã será selado "nos próximos dias", após receber respostas de Teerã e Washington.

"Estou confiante de que nos próximos dias não perderemos esse ímpeto e seremos capazes de fechar um acordo", disse Borrell após uma reunião informal dos ministros das Relações Exteriores da UE em Praga.

"Está claro que há um terreno comum, que temos um acordo que leva em consideração, me parece, as preocupações de todos", disse ele.

Em Washington, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse que os Estados Unidos estão "cautelosamente otimistas" sobre o resultado das negociações.

"Acreditamos que agora estamos mais próximos do que nas últimas semanas e meses, principalmente por causa da disposição do Irã de retirar algumas de suas exigências, que nada tinham a ver com o acordo", explicou Kirby.

A UE apresentou em 8 de agosto um projeto final para restaurar o acordo internacional de 2015 entre o Irã e as principais potências mundiais.

Os Estados Unidos se retiraram do pacto em 2018 durante o governo de Donald Trump, que também impôs uma série de sanções econômicas a Teerã.

Após a chegada à Casa Branca do democrata Joe Biden, o governo americano declarou o objetivo de restabelecer esse acordo, apostando nele como a melhor forma de limitar o programa nuclear iraniano e evitar que ganhe uma dimensão militar.

A reativação do acordo devolveria mais de um milhão de barris de petróleo iraniano aos mercados internacionais, em um momento especialmente tenso devido à escalada dos preços da energia.

O Irã respondeu à proposta da UE com uma série de propostas de emendas, às quais os Estados Unidos responderam por sua vez, sem revelar os detalhes.

- Israel pressiona para derrubar acordo -

Enquanto isso, a pressão cresceu do lado de Israel (oficialmente uma potência nuclear), que acusa o Irã de querer se equipar com a bomba atômica, o que Teerã nega.

Israel não parou de trabalhar para tentar derrubar o acordo com o Irã e é suspeito de estar por trás de uma campanha de sabotagem e assassinato de cientistas iranianos nos últimos anos.

O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, falou por telefone na quarta-feira com o presidente Joe Biden "sobre as negociações para um acordo nuclear e os esforços para impedir o avanço do Irã em direção às armas nucleares", informou em nota o gabinete do chefe de governo de Israel.

A Casa Branca não comentou imediatamente o teor da ligação. A declaração israelense indicou que Biden "enfatizou seu profundo compromisso com a segurança do Estado de Israel".

Um dos pontos de discórdia da negociação foi a insistência do Irã para que a agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), desista de sua investigação sobre três instalações não declaradas suspeitas de abrigar atividades sensíveis.

"No texto, queremos reforçar a ideia de que a AIEA se concentra em sua tarefa técnica e se afasta de seu papel político", disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir Abdollahian, em visita a Moscou.

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