UE afirma que redução do gás russo confirma que Europa deve se tornar independente de Moscou

A redução drástica nas entregas de gás anunciada pela Gazprom é "mais uma prova" de que a Europa deve "reduzir sua dependência do abastecimento russo o mais rápido possível", disse nesta terça-feira (26) o ministro da Energia tcheco Jozef Sikela, cujo país detém a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.

"Unidade e solidariedade são as melhores armas que temos contra [o presidente russo Vladimir] Putin e tenho certeza de que vamos mostrar isso hoje", afirmou Jozef Sikela, antes de uma reunião em Bruxelas com seus 27 homólogos da UE para chegar a um acordo sobre um plano de economia do consumo de gás.

A gigante do gás Gazprom anunciou na segunda-feira uma nova redução no fornecimento de gás para a Europa através do gasoduto Nord Stream, para 33 milhões de metros cúbicos por dia a partir de quarta-feira, cerca de 20% da capacidade do gasoduto. A empresa alegou a necessidade de manutenção de uma turbina.

Na semana passada, a Comissão Europeia pediu uma redução de 15% na demanda de gás na Europa a partir de agosto, antecipando uma redução nas entregas russas. Até o ano passado, cerca de 40% das importações de gás da UE vinham da Rússia.

O plano de Bruxelas, que será debatido pelos 27 Estados-membros nesta terça-feira, exige que cada país "faça todo o possível" para reduzir seu consumo de gás em pelo menos 15% entre agosto de 2022 e março de 2023 em relação à média dos últimos cinco anos do mesmo período. A medida visa somar forças em caso de emergência para ajudar especialmente a Alemanha, altamente dependente do gás russo.

No entanto, a proposta da UE, apoiada por Berlim, gerou polêmica em vários países-membros como Polônia, Espanha, Itália, Grécia e Portugal, que criticaram o fato de não considerar as especificidades de cada um.

Os diplomatas dos Estados-membros modificaram o texto com a esperança de conseguir um acordo nesta terça-feira, segundo uma nova versão consultada pela AFP. Entre outras coisas, a proposta prevê que a meta de 15% seja adaptada à situação particular de cada país por meio de uma série de isenções.

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