UE chega a acordo sobre investimentos verdes sem resolver questão nuclear

O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela União do Euro, Diálogo Social, Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e Mercado de Capitais Valdis Dombrovskis responde a perguntas durante sua audiência no Parlamento Europeu em Bruxelas

Os negociadores da Eurocâmara e os países da União Europeia (UE) chegaram a um acordo na noite de segunda-feira para definir seus investimentos verdes, embora tenham adiado a decisão sobre a delicada questão da energia nuclear.

"Estamos vivendo um momento histórico. Os legisladores europeus chegaram a um acordo sobre uma classificação das atividades verdes", parabenizou o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis.

A energia nuclear foi mencionada em várias ocasiões nas discussões que buscam estabelecer uma classificação dos investimentos de acordo com sua contribuição para a transição ecológica na Europa, mas esse problema técnico tem importantes consequências financeiras.

Esse novo rótulo verde pode orientar a escolha dos investidores, e também dos bancos que concedem empréstimos em condições mais favoráveis para os setores considerados ecológicos.

Desde que a Comissão Europeia colocou esta proposta sobre a mesa, em maio de 2018, a energia nuclear foi objeto de uma dura batalha entre defensores - França e alguns países do leste como a República Tcheca - e detratores - Alemanha, Áustria, Luxemburgo e Grécia.

Em 5 de dezembro, os negociadores já haviam concordado com as três categorias de investimentos que favoreceriam a transição climática.

A primeira categoria seria de atividades verdes.

Em seguida, haveria as de transição, ou seja, as melhores práticas nesses setores, como o aço, que ainda não têm alternativas para uma emissão zero de CO2.

A terceira categoria seria a de "atividades facilitadoras", setores que ajudam a desenvolver atividades com zero emissão de dióxido de carbono, como a fabricação de turbinas eólicas.

A Comissão Europeia deve decidir dentro de dois anos sobre qual categoria incluir o setor nuclear, mas também o de gás (defendido por alemães, poloneses e italianos).

""Tenho perfeita consciência que o problema da energia nuclear vai voltar em dois anos. Apenas adiamos o tema, pois o risco é que toda a classificação seja tomada como refém", disse o presidente da Comissão Ambiental da Eurocâmara, o liberal Pascal Canfin.

Para o eurodeputado Yannick Jadot, o setor nuclear, "para se beneficiar de financiamento vinculado a investimentos verdes, deve passar no teste de que não tem efeitos nocivos, especialmente no teste de resíduos".

O acordo final foi alcançado depois que os negociadores modificaram o texto da próxima avaliação de Bruxelas sobre resíduos nucleares, alterando a palavra "risco" por "dano".

O acordo ainda deve ser formalmente aprovado pelos países da UE, em reunião marcada para quarta-feira, e pela Câmara Europeia, em janeiro.