Seis pessoas morrem em ataque russo na Ucrânia antes de reunião da UE sobre sanções

Seis pessoas morreram em um bombardeio russo em Toretsk, leste da Ucrânia, onde Moscou intensifica suas operações, anunciou o Serviço Estatal Ucraniano para Situações de Emergência nesta segunda-feira (18).

O ataque coincide com uma reunião em Bruxelas, onde os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) planejam aumentar a pressão contra a Rússia com novas sanções.

Um ataque de granada contra um prédio em Toretsk, cidade de cerca de 30.000 habitantes na região de Donetsk, matou seis pessoas, segundo autoridades locais. Donetsk é uma das duas províncias que compõem a bacia de mineração de Donbass, que Moscou busca controlar.

O bombardeio atingiu uma estrutura nos arredores da cidade, conhecida como "a casa de oração", que antes da guerra abrigava Testemunhas de Jeová, apontou uma moradora, cuja casa fica a cerca de 30 metros de distância.

"Estava com a janela aberta, houve uma grande explosão por volta das 5h da manhã, com pedras e poeira", disse Nadiejda à AFP.

Um militar confirmou o balanço, mas se recusou a especificar se as vítimas eram do exército. O acesso ao prédio foi proibido.

Duas pessoas morreram em 24 horas em bombardeios russos na região de Kharkiv, segundo o governador regional, Oleh Synyehubov.

Também foram registrados ataques em Mykolaiv e na região de Odessa, no sul da Ucrânia, e em Nikopol, no centro do país, às margens do rio Dnieper.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, informou que 250 "mercenários estrangeiros" foram mortos em um bombardeio russo na cidade de Kostyantynivka, em Donetsk, sem dar mais detalhes.

A guerra completará 6 meses em 24 de julho, sem que haja atualmente um balanço global das vítimas causadas por este conflito.

- Destituições por "traição" -

A Rússia anunciou no sábado o fim da "pausa operacional" decretada por seu exército e retomou a ofensiva.

Os bombardeios reiniciaram com mais intensidade no Donbass, uma região controlada parcialmente pelos separatistas desde 2014.

No início do mês, o presidente russo, Vladimir Putin, advertiu que seu exército estava apenas começando a intervir "a sério" na Ucrânia.

Em paralelo à retomada da ofensiva, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou a demissão da procuradora-geral Iryna Venediktova e do chefe da agência de segurança nacional Ivan Bakanov, acusados de traição.

Em uma mensagem à nação, Zelensky disse que cerca de 650 casos de possível traição, ajuda e cumplicidade com a Rússia entre autoridades de segurança ucranianas estão sendo investigados.

Venediktova era responsável pelas investigações sobre as atrocidades cometidas contra civis durante a ocupação russa da cidade de Bucha, nos arredores de Kiev.

Zelensky também falou em seu discurso sobre o poder militar devastador que a Rússia usou contra a Ucrânia, dizendo que as forças russas dispararam mais de 3.000 mísseis de cruzeiro contra alvos na Ucrânia.

- Ucrânia pede que UE não ceda -

No entanto, os ministros de Relações Exteriores da UE estão reunidos em Bruxelas e analisam várias propostas para reforçar as sanções contra a Rússia, entre elas uma que recomenda proibir a compra de ouro russo.

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, pediu a seus homólogos do bloco que não caiam na "armadilha" de ceder ao presidente russo.

Na semana passada, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, criticou esta política de sanções e afirmou que Bruxelas está causando mais danos à economia dos países europeus, que são altamente dependentes de Moscou em termos de energia.

Por sua vez, Putin pediu nesta segunda-feira para superar as "dificuldades colossais" causadas pelas sanções no setor de altas tecnologias.

"Conscientes das dificuldades colossais que enfrentamos, buscaremos novas soluções de forma inteligente e enérgica", disse, lembrando que seu país enfrenta um bloqueio "quase total".

O presidente apontou que a Rússia buscará a "soberania" tecnológica e produtos de empresas locais inovadoras.

Pouco depois, o país anunciou uma multa de 360 milhões de dólares ao gigante da internet Google, por seu conteúdo sobre a ofensiva na Ucrânia.

- 'Esperança' sobre exportações de grãos -

A reunião dos ministros também planeja abordar a preocupação mundial com o bloqueio de toneladas de grãos na Ucrânia, em um momento de aumento da inflação global.

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, reiterou seu chamado à Rússia para que desbloqueie os portos ucranianos e permita as exportações de 20 milhões de toneladas de grãos.

A União Europeia tem "esperança" de que chegar a um acordo esta semana, disse, em referência às negociações entre Rússia, Ucrânia, Turquia e a ONU.

É uma "questão de vida ou morte [...] a vida de [...] dezenas de milhares de pessoas depende desse acordo", acrescentou.

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