União Europeia debate limites para preços do gás e taxas nas empresas de energia

Medidas de emergência para reduzir a crise inflacionista, na qual os altos preços da energia desempenham um papel central, serão analisadas pelos ministros dessa tutela ,esta sexta-feira, em Bruxelas, com Portugal representado pelo ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro.

As propostas são da Comissão Europeia e do governo da Chéquia, país que preside ao conselho da União neste semestre.

Nos bastidores diplomáticos parece haver algum consenso sobre criar um teto máximo nas receitas das empresas produtoras de eletricidade com baixos custos de produção, que usam fontes renováveis e o nuclear.

"O princípio é tentar encontrar uma solução justa na qual não se expropriam as empresas de todos os seus lucros, porque fazem investimentos. Por exemplo, unidades que usam energia renovável têm todo o direito de ser remuneradas pelos investimentos feitos", explicou, à euronews, o analista perito em energia, Simone Tagliapietra, do Instituto Bruegel.

"Mas é verdade que estamos numa situação extraordinária, na qual vários elementos do mercado estão disfuncionais. Este tipo de intervenção extraordinária faz sentido numa perspetiva social, face à situação em que estamos e que continuará nos próximos meses. Teremos cada vez mais famílias e empresas em toda a Europa a lutarem pela sua sobrevivência", acrescentou.

Mais controversa é a ideia de fixar um teto no preço do gás russo que chega por via terrestre.

A Alemanha e a Hungria estão contra, uma vez que pode aumentar a escassez de gás. Mas a Itália e a Bélgica, por exemplo, estão a favor de um teto máximo para todo o gás, não apenas o vindo da Rússia.

"Isto acontece no momento em que a Rússia já cortou mais de dois terços do que costumava fornecer à Europa. Alguns consideram que é tarde demais para esta medida, enquanto que outros vêem mérito porque, em primeiro lugar, é uma decisão simbólica que mostra que a Europa também tem cartas para jogar nesta mesa", referiu Simone Tagliapietra.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também recomenda fortemente poupar eletricidade, especialmente nos horários de pico.

Embora uma redução voluntária deva ser bem aceite pelos Estados-membros, a fixação de valores obrigatórios não parece convencer.