UE denuncia 'falta de lealdade' dos Estados Unidos com a França

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O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, 24 de agosto de 2021 (AFP/Kenzo TRIBOUILLARD)

O presidente do Conselho Europeu, braço executivo da União Europeia, Charles Michel, acusou nesta segunda-feira (20) os Estados Unidos de falta de lealdade depois que a Austrália cancelou um amplo contrato com a França para comprar submarinos de propulsão nuclear americanos.

"Os princípios mais elementares para os aliados são transparência e confiança e estas andam juntas. Estamos vendo uma clara falta de transparência e lealdade", disse Michel à imprensa nas Nações Unidas, antes da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Os europeus, disse, precisam "esclarecer e tentar compreender quais são as intenções que estão por trás deste anúncio".

Michel assegurou que este acordo entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália impulsionará os esforços europeus para construir seu próprio sistema de defesa.

Uma decisão assim "não irá contra nossos aliados, mas se somos mais fortes e mais robustos, significa que nossas alianças também serão mais fortes", acrescentou.

Michel demonstrou certa decepção com Joe Biden, que assumiu a Presidência americana defendendo o reforço das alianças após o período divisivo de seu antecessor, Donald Trump.

Com Trump, "pelo menos estava claro - o tom, a substância, a linguagem - estava muito claro que a União Europeia não era, na sua opinião, um aliado útil", disse Michel.

A Austrália disse compreender a decepção da França, mas que seus submarinos convencionais seriam insuficientes para manter a defesa do país nas próximas décadas em meio às tensões crescentes com a China.

A França se sentiu traída por esta aliança. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, acusou a Austrália de dar uma "punhalada nas costas" e os Estados Unidos de traição.

A chanceler belga, Sophie Wilmes, que também está nas Nações Unidas para participar da Assembleia Geral, descreveu o acordo com uma "bomba, primeiro para a França, mas também para a Europa e para o mundo em nível geoestratégico".

A Europa precisa ter mais voz e ser mais "presente no cenário internacional", disse.

A ministra manifestou a esperança de que haja uma base comum de entendimento entre os chanceleres europeus que estão em Nova York, embora alguns diplomatas tenham assegurado que a França não está buscando um comunicado formal de apoio.

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