UE dificulta regras de viagem para russos, mas rejeita proibição de visto

Bandeiras de países europes no Parlamento da UE, em Estrasburgo, na França

Por Robert Muller e Jan Lopatka

PRAGA (Reuters) - Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia decidiram, nesta quarta-feira, tornar mais caro e mais demorado para os russos obterem vistos para viajar ao bloco, mas não chegaram a concordar com a proibição de vistos em toda a UE que a Ucrânia e vários Estados-membros pediram.

A UE está muito dividida para concordar nesta fase com uma proibição geral e também não deixou claro quais medidas unilaterais Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Finlândia, que têm fronteiras terrestres com a Rússia, podem tomar para restringir o acesso a visitantes russos.

Esses cinco países saudaram a suspensão do acordo de facilitação de vistos da Rússia como um "primeiro passo necessário", mas quatro deles enfatizaram que é necessário fazer mais para limitar "drasticamente" o número de vistos emitidos e russos que viajam para o bloco desde a invasão da Ucrânia por Moscou em fevereiro.

"Até que tais medidas estejam em vigor no nível da UE, consideraremos introduzir no nível nacional medidas temporárias de proibição de visto ou restringir a passagem de fronteira para cidadãos russos com vistos da UE, a fim de abordar questões iminentes de segurança pública", afirmaram Letônia, Lituânia, Estônia e Polônia em comunicado conjunto.

O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, argumentou que a suspensão do acordo de facilitação de vistos por si só já terá um impacto real.

"Isso reduzirá significativamente o número de novos vistos emitidos pelos Estados membros da UE. Vai ser mais difícil, vai demorar mais", disse ele em entrevista coletiva no final de uma reunião de dois dias de ministros das Relações Exteriores da UE em Praga.

Borrell disse que um aumento substancial nas passagens de fronteira da Rússia para Estados vizinhos desde meados de julho tornou necessário suspender o acordo de facilitação de vistos.

"Isso se tornou um risco de segurança para esses Estados vizinhos", acrescentou. "Além disso, vimos muitos russos viajando para lazer e compras como se nenhuma guerra estivesse acontecendo na Ucrânia".

Mais de um milhão de cidadãos russos entraram no bloco através de pontos de passagem na fronteira terrestre desde o início da invasão da Ucrânia, a maioria deles via Finlândia e Estônia, disse a agência fronteiriça do bloco, Frontex.

(Reportagem adicional de Sabine Siebold, Jason Hovet, Bart Meijer, Gabriela Baczynska)