UE e Reino Unido adotam novas sanções contra Irã por repressão a protestos

Países da União Europeia (UE) e o Reino incluíram, nesta segunda-feira (23), mais de 40 funcionários e organizações do Irã em suas listas negativas, devido à repressão aos protestos que sacodem o país – disseram várias fontes.

A UE adotou medidas punitivas contra 37 funcionários e organizações da República Islâmica. Trata-se da quarta rodada de sanções impostas pelo bloco ao Irã e foi decidida durante uma reunião dos ministros europeus das Relações Exteriores, em Bruxelas.

Publicada no Diário Oficial da UE, a lista dos afetados inclui o ministro dos Esportes e da Juventude, Seyed Hamid Sajjadi Hazaveh, dois diretores da rádio e televisão iraniana, quatro deputados e quatro comandantes regionais dos Guardiães da Revolução.

A UE já puniu mais de 60 funcionários e organizações iranianas pela repressão aos protestos que eclodiram após a morte de uma jovem curdo-iraniana sob custódia policial por descumprir o rigoroso código de vestimenta do país.

Entre eles, estão funcionários, agentes da polícia da moralidade de Teerã, líderes da Guarda Revolucionária e veículos estatais de imprensa.

Apesar dos pedidos da Alemanha e Holanda, os países-membros da UE ainda não decidiram classificar a Guarda Revolucionária como um grupo terrorista. O governo iraniano já advertiu a UE contra essa possibilidade.

Nesta segunda, o chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, disse que, antes de adotar esta medida, é necessária uma decisão judicial de um dos membros do bloco.

"Não podemos dizer: 'Te considero terrorista porque não gosto de você'. Isso poderá ser feito, quando um tribunal de um Estado-membro emitir uma declaração legal, uma condenação concreta", explicou.

Já o Reino Unido aplicou sanções a outras cinco pessoas, entre elas o vice-procurador-geral iraniano, Ahmad Fazelian.

Segundo o governo britânico, o vice-procurador é responsável por "um sistema judiciário caracterizado por julgamentos injustos e penas desproporcionais, incluindo o uso da pena de morte por razões políticas".

"Alireza Akbari foi uma vítima trágica deste brutal sistema", acrescentou Londres, referindo-se ao britânico de origem iraniana executado em 14 de janeiro, após ser declarado culpado de espionagem para os serviços de Inteligência do Reino Unido.

A lista negativa inclui Kiyumars Heidari, comandante das forças terrestres do Exército iraniano, e Hosein Nejat, responsável pela segurança em Teerã da Guarda Revolucionária.

"Os que receberam sanções no dia de hoje (...) estão no centro da brutal repressão do povo iraniano por parte do regime", disse o ministro britânico das Relações Exteriores, James Cleverly.

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