UE e Reino Unido ampliam sanções ao Irã por repressão aos protestos

A União Europeia (UE) e o Reino Unido anunciaram, nesta segunda-feira (14), novas sanções a vários funcionários do Irã, incluindo o ministro do Interior e a rede estatal de televisão Press TV, devido à repressão aos protestos pela morte de uma jovem sob custódia policial.

A lista de sanções da UE, publicada em seu Diário Oficial, identifica o ministro do Interior, Ahmad Vahidi, como "responsável pelas graves violações dos direitos humanos".

Enquanto isso, a rede Press TV, identificada como uma "organização estatal de transmissão de televisão", foi sancionada por "fazer e transmitir confissões forçadas de detidos".

No total, a decisão adotada nesta segunda-feira adiciona 29 autoridades iranianas e três organizações à lista de sancionados. A decisão foi aprovada pelos ministros europeus das Relações Exteriores durante uma reunião em Bruxelas.

Em um comunicado, o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, assegurou que o bloco "condena veementemente a inaceitável repressão violenta aos manifestantes. Apoiamos o povo iraniano e apoiamos seu direito de protestar pacificamente".

Por isso, destacou, "estamos impondo sanções adicionais aos responsáveis pela repressão aos manifestantes iranianos".

Nessa declaração, a UE instou o Irã a "parar imediatamente com a repressão violenta contra manifestantes pacíficos, libertar os detidos e garantir o livre fluxo de informações, incluindo o acesso à Internet".

Por seu envolvimento na guerra na Ucrânia, a UE também sancionou a Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, as Indústrias Aeronáuticas Qods e o supervisor do programa de drones da Guarda Revolucionária, o general Hossein Salami.

A UE condena a transferência de drones iranianos que a Rússia usa na sua guerra contra a Ucrânia. Com este anúncio, a lista de sanções da UE já inclui 126 pessoas e 11 entidades.

O Reino Unido também anunciou nesta segunda-feira novas sanções contra várias autoridades iranianas em resposta à repressão às manifestações.

"As sanções visam líderes dentro do governo iraniano que são responsáveis por violações abomináveis dos direitos humanos", disse o ministro das Relações Exteriores britânico, James Cleverly, em nota.

O governo britânico alegou ter imposto tais sanções em coordenação com outros países e a União Europeia.

"Juntamente com nossos parceiros, enviamos uma mensagem clara ao governo iraniano: a repressão às manifestações deve parar e a liberdade de expressão deve ser respeitada", enfatizou Cleverly.

Entre as autoridades iranianas sancionadas pelo Reino Unido estão o ministro da Informação e Comunicações, Isa Zarepur, e o chefe da polícia cibernética do país.

O Irã tem sido abalado por grandes manifestações depois que a jovem Mahsa Amini foi espancada até a morte em meados de setembro depois de ser detida pela polícia iraniana da moralidade por supostamente usar o véu islâmico de forma incorreta.

O governo respondeu aos protestos com uma repressão brutal.

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