UE, EUA, Canadá e Reino Unido anunciam sanções contra China por violar direitos humanos

RAFAEL BALAGO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - União Europeia (UE), EUA, Canadá e Reino Unido impuseram nesta segunda (22) sanções à China devido a violações de direitos humanos em Xinjiang. Em resposta à ação coordenada, Pequim reagiu rapidamente e determinou medidas similares contra dez representantes europeus, gerando uma crise diplomática com os países do Ocidente. O bloco europeu anunciou as sanções primeiro, contra quatro autoridades chinesas, acusadas de ordenar detenções arbitrárias e de coordenar medidas para impedir muçulmanos uigures e outras minorias de seguirem sua fé e manterem seus costumes, o que vai contra o direito de liberdade religiosa. Os atingidos são Chen Mingguo, diretor do Departamento de Segurança Pública de Xinjiang, Wang Junzheng, secretário na estatal XPCC (Corporação de Construção e Produção de Xinjiang), Zhu Hailun, ex-governante da cidade de Urumqi, capital de Xinjiang, e Wang Mingshan, ex-diretor do Departamento de Segurança da região. Também foi alvo de sanções o Departamento de Segurança Pública, Construção e Produção de Xinjiang. Todos os atingidos ficam proibidos de fazer negócios com países da UE e, no caso dos indivíduos, de entrarem nos 27 países do bloco europeu. Horas depois, os EUA anunciaram sanções contra Wang Junzheng e Chen Mingguo. "Autoridades chinesas vão continuar a encarar consequências enquanto atrocidades ocorrerem", disse Andrea Gacki, diretora do Departamento do Tesouro dos EUA. O governo americano classifica a situação em Xinjiang como genocídio, posição anunciada em janeiro, no penúltimo dia do governo de Donald Trump. Depois dos Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá anunciaram medidas contra os mesmos alvos que a UE. "As evidências de extensos abusos contra os direitos humanos em Xinjiang não podem ser ignoradas", disse Dominic Raab, secretário britânico das Relações Exteriores. Ele acusou a China de realizar "a maior detenção em massa de um grupo étnico ou religioso desde a Segunda Guerra Mundial". Além das sanções, os governos de Canadá, EUA e Reino Unido divulgaram um comunicado conjunto pelo fim da repressão aos uigures. "Nós permanecemos unidos e pedimos Justiça para aqueles que sofrem em Xinjiang", disseram os ministros de Relações Exteriores dos três países. Embora tenham caráter mais simbólico, as medidas marcam um endurecimento da posição dos principais países do Ocidente sobre a China. A última vez que a UE havia tomado uma medida do tipo contra o país foi em 1989: um embargo de venda de armas após o massacre da Praça da Paz Celestial, quando estudantes que protestavam contra o regime foram duramente reprimidos. A punição à China, o segundo maior parceiro comercial da UE, depois dos EUA, ainda está em vigor. Em resposta aos anúncios desta segunda, Pequim pediu ao bloco que "corrija seu erro" e determinou sanções a dez autoridades e representantes europeus, incluindo cinco eurodeputados e dois acadêmicos, e a quatro entidades do continente, pela acusação de atacar a soberania chinesa. Eles não poderão entrar ou enviar representantes à China nem fazer negócios com instituições do país. A retaliação chinesa gerou queixas na Europa. Josep Borrell, chefe da diplomacia da UE, considerou as sanções da China inaceitáveis. "Não haverá mudanças na determinação da UE para defender os direitos humanos. Em vez de mudar suas políticas, a China, uma vez mais, olhou para o outro lado", disse. O governo da França convocou o embaixador chinês em Paris para esclarecimentos, devido a comentários feitos contra parlamentares e acadêmicos franceses. A Holanda fez gesto similar com o embaixador chinês em Haia, porque um eurodeputado holandês foi alvo de sanções pela China. Pequim nega as acusações de abusos e diz que os locais chamados de campos de detenção são espaços de reeducação, voltados a combater o extremismo e a ensinar novas habilidades. Os uigures enfrentam, há três anos, uma campanha abrangente para transformá-los em seguidores obedientes do Partido Comunista e transferi-los de fazendas para fábricas, enfraquecendo o compromisso com o islã. Aldeias e cidades de Xinjiang estão cercadas por grandes postos de controle da polícia, que usam scanners de reconhecimento facial para registrar as pessoas que circulam na área. Também há registros de que os uigures são rastreados via telefone celular. MIANMAR E TURQUIA Nesta segunda, a UE também determinou sanções contra autoridades de Mianmar, incluindo o general Min Aung Hlang, chefe da junta militar que deu um golpe de Estado em 1º de fevereiro. Min foi acusado de ser "responsável por sabotar a democracia e o Estado de Direito em Miamar". Além dele, mais dez autoridades do país foram sancionadas por envolvimento no golpe. O bloco também debate suas relações com a Turquia. Após um ano de tensões, diálogos estavam sendo restabelecidos no começo deste ano. Na semana passada, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tiveram uma videoconferência com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. No entanto, após esse encontro, a Turquia anunciou sua retirada da Convenção de Istambul. O acordo, de 2011, obriga governos a adotar legislação que pune a violência doméstica e o abuso contra as mulheres. A Turquia também é questionada devido a uma recente tentativa judicial de cercear a atuação do Partido Democrático do Povo (HDP), pró-curdo e o segundo maior da oposição turca. Ao chegar à reunião em Bruxelas nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, criticou o que chamou de "luzes e sombras" na Turquia. "Os eventos que acabamos de testemunhar nos últimos dias, o desejo de proibir o HDP e a retirada da Convenção de Istambul, são maus sinais", assinalou.