Acordo comercial do Brexit pode estar iminente, diz fonte sênior da UE

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Bandeira do Reino Unido tremula em frente ao Parlamento Europeu

BRUXELAS (Reuters) - Um diplomata sênior europeu disse à Reuters nesta quarta-feira que um acordo comercial do Brexit pode estar iminente, aumentando esperanças de que Reino Unido e União Europeia (UE) possam evitar uma turbulenta ruptura econômica em apenas oito dias.

Não houve confirmação britânica de que um acordo estava para ser fechado. Os dois lados deram uma série estonteante de sinais conflitantes nos últimos dias, e outra autoridade da UE disse: "Ainda pode acontecer de qualquer maneira".

O Reino Unido e a União Europeia ainda estão negociando um acordo comercial pós-Brexit, disse uma fonte do governo britânico nesta quarta-feira, depois que diplomatas do bloco sugeriram que um acordo poderia ser alcançado em breve. "As negociações estão em andamento", disse a fonte sob condição de anonimato.

As negociações comerciais entre a União Europeia e o Reino Unido ainda se encontram em seus "estágios finais", informou na tarde desta quarta-feira uma fonte da Comissão Europeia --braço executivo da UE e que está negociando com os britânicos em nome dos 27 países-membros--, quando questionada se um acordo havia sido alcançado.

Desde que deixou formalmente a UE em 31 de janeiro, o Reino Unido vem negociando um acordo de livre comércio com o bloco na tentativa de facilitar sua saída do mercado único e da união aduaneira no final deste ano.

Um acordo garantiria que o comércio de mercadorias --que compõe metade do comércio anual UE-Reino Unido, no valor de quase 1 trilhão de dólares ao todo-- permanecesse livre de tarifas e cotas.

O diplomata sênior, que falou sob condição de anonimato, disse que os Estados-membros da UE precisariam aprovar uma aplicação provisória do acordo com efeito a partir de 1º de janeiro porque não havia tempo suficiente para o Parlamento Europeu ratificá-lo.

Os Estados-membros da UE começaram a preparar seus procedimentos para implementar qualquer acordo a partir de 1º de janeiro, disseram três fontes diplomáticas do bloco à Reuters.

Um diplomata da UE disse que o Conselho Europeu, que representa os Estados-membros em Bruxelas, começou os preparativos para permitir uma implementação rápida.

A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, não quis comentar.

O Reino Unido, por sua vez, disse que duas questões importantes --pesca e competição-- ainda precisam ser resolvidas e que não houve progresso suficiente para um acordo. A Comissão não quis comentar.

A libra esterlina saltava 1,2% em relação ao dólar devido às perspectivas de um acordo.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estiveram em contato próximo e devem conversar novamente por telefone nesta quarta-feira.

(Por Guy Faulconbridge, Jihn Chalmers, Kate Holton, Sujata Rao, Elizabeth Piper, Gabriela Baczynska, Michael Shields e Padraic Halpin)