UE pede ao novo governo de Israel que renuncie às anexações

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (e), conversa com Benny Gantz, com quem alternará no cargo, durante a cerimônia de juramento do novo governo

A União Europeia (UE) pediu ao novo governo israelense, nesta terça-feira (19), que renuncie aos projetos de anexação na Cisjordânia e lembrou o Estado hebreu da necessidade de respeitar o direito internacional, em declaração aprovada por 25 dos 27 Estados-membros.

"Pedimos a Israel que se abstenha de qualquer decisão unilateral que conduza à anexação do território palestino ocupado e que seria contrária ao direito internacional", diz a declaração divulgada pelo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

"Me alegra que 25 Estados-membros da UE tenham apoiado essa declaração, que é o resultado de uma iniciativa tomada em 12 de maio com meu colega irlandês Simon Coveney", afirmou o ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn.

Ele "lamentou", no entanto, a não adesão de Áustria e Hungria à declaração.

"A declaração recorda as posições da UE sobre a necessidade de respeitar o direito internacional e o apoio à solução de dois Estados, com Jerusalém como futura capital para ambos, único meio de garantir paz e estabilidade duradouras na região", explicou o porta-voz de Josep Borrell, Peter Stano.

Neste fim de semana, Asselborn disse à AFP: "Não falamos de sanções. Estamos nos colocando em uma situação de prevenção. Este texto não é agressivo".

"Se Israel passar aos atos e anexar o Vale do Jordão na Cisjordânia, não vejo diferença para o que a Rússia fez com a Crimeia" em 2014, comparou o ministro do Luxemburgo.

"Mas não quero falar de sanções agora (...). Teremos dois meses até 15 de julho para convencer Israel a renunciar a este projeto", acrescentou.

Segundo um acordo assinado pelo novo governo de união de Israel, que agora é liderado por Benjamin Netanyahu, o Executivo deverá apresentar a partir de 1o de julho seu plano de aplicação do projeto dos EUA.

O plano americano prevê a anexação a Israel do Vale do Jordão e de mais de 130 colônias, assim como a criação de um Estado palestino no restante do território.