UE pede que Rússia revogue suspensão de acordo de grãos com Ucrânia

Porto de Odessa

Por Pavel Polityuk

KIEV (Reuters) - A União Europeia pediu neste domingo à Rússia que reverta sua decisão de desistir de um acordo de grãos mediado pela ONU, uma medida que prejudica os esforços para aliviar uma crise alimentar global, e que, segundo a Ucrânia, Moscou havia planejado com bastante antecedência.

Moscou suspendeu sua participação no acordo do Mar Negro no sábado, cortando efetivamente os embarques a partir da Ucrânia, um dos maiores exportadores de grãos do mundo, em resposta ao que chamou de um grande ataque de drone ucraniano no início do dia a sua frota perto do porto de Sevastopol, na Crimeia, anexada à Rússia.

"A decisão da Rússia de suspender a participação no acordo do Mar Negro coloca em risco a principal rota de exportação de grãos e fertilizantes muito necessária para enfrentar a crise alimentar global causada pela guerra contra a Ucrânia", disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, no Twitter.

"A UE apela à Rússia para (reverter) sua decisão."

No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chamou a medida de "puramente ultrajante", dizendo que aumentará a fome, enquanto o secretário de Estado Antony Blinken acusou Moscou usar alimentos como arma. Neste domingo, o embaixador da Rússia em Washington retrucou, dizendo que a resposta dos EUA foi "ultrajante".

O Ministério da Defesa da Rússia disse que a Ucrânia atacou a Frota do Mar Negro perto de Sebastopol com 16 drones no início do sábado, e que "especialistas" da marinha britânica ajudaram a coordenar o que chamou de ataque terrorista.

A Rússia afirmou que repeliu o ataque, mas que os navios visados ​​estavam envolvidos em garantir o corredor de grãos nos portos do Mar Negro da Ucrânia.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse que Moscou usou as explosões a 220 quilômetros de distância do corredor de grãos como um "falso pretexto" para um movimento planejado há muito tempo.

"A Rússia planejou isso com bastante antecedência", declarou Kuleba no Twitter. "A Rússia tomou a decisão de retomar seus jogos de fome há muito tempo e agora tenta justificá-la", disse ele, sem oferecer nenhuma evidência.

O chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelenskiy acusou a Rússia no sábado de inventar ataques contra suas próprias instalações.

A saída da Rússia do acordo de grãos marca um novo desenvolvimento em uma guerra de oito meses que começou com a invasão da Rússia em fevereiro e que recentemente foi dominada por uma contraofensiva ucraniana e ataques de drones e mísseis russos que destruíram mais de 30% da capacidade de geração da Ucrânia e atingiram áreas povoadas.