UE pede retirada de combatentes estrangeiros de Nagorno Karabakh

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Militares russos em um posto de controle em Chapar, na zona de Kalbakhar, em 14 de novembro de 2020, em Nagorno Karabakh
Militares russos em um posto de controle em Chapar, na zona de Kalbakhar, em 14 de novembro de 2020, em Nagorno Karabakh

A União Europeia celebrou, nesta quinta-feira (19), o fim das hostilidades em Nagorno Karabakh, mas condenou o envolvimento de forças estrangeiras e lançou um apelo por uma investigação dos crimes de guerra que possam ter sido cometidos durante o conflito.

"A UE exorta todos os atores regionais a se absterem de qualquer ação, ou discurso, que possa colocar em risco o cessar-fogo e também apela para a retirada completa e rápida de todos os combatentes estrangeiros da região", disse o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

O acordo de paz entre a Armênia e o Azerbaijão, negociado pela Rússia, e as consequências do conflito foram discutidos nesta quinta-feira durante uma videoconferência de ministros das Relações Exteriores da UE.

O apoio militar da Turquia ao Azerbaijão e a intervenção de combatentes estrangeiros foram "decisivos", disse um dos participantes à AFP.

O papel da Turquia - país membro da Otan - será debatido na reunião dos chanceleres dos países dessa aliança militar, nos dias 1 e 2 de dezembro, acrescentou.

O acordo de paz consagra uma derrota humilhante para a Armênia e permite que o Azerbaijão recupere grandes extensões do território de Nagorno Karabakh sob controle armênio desde a primeira guerra, que estourou no início dos anos 1990.

Em sua declaração, Borrell denunciou o uso de "munições 'cluster' [de dispersão] e armas incendiárias" durante este conflito e pediu que "todos os crimes de guerra que possam ter sido cometidos" sejam investigados.

Ele também insistiu na "importância de se preservar e restaurar o patrimônio cultural e religioso de Nagorno Karabakh e seus arredores".

Borrell pediu a todas as partes que cumpram "estritamente o cessar-fogo para evitar mais perdas de vidas" e anunciou que vai monitorar de perto a aplicação das disposições do cessar-fogo, em particular no que diz respeito a seu mecanismo de vigilância".

"O fim das hostilidades é apenas o primeiro passo para encerrar um conflito de longa data", disse ele.

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