UE propõe embargo progressivo ao petróleo russo

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (AFP/Kenzo Tribouillard) (Kenzo Tribouillard)
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A União Europeia (UE) deseja aplicar um embargo progressivo sobre o petróleo e derivados comprados da Rússia, em resposta à guerra na Ucrânia, afirmou nesta quarta-feira (4) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao apresentar o sexto pacote de sanções contra Moscou.

A política alemã destacou que envia uma mensagem aos promotores da guerra: "Nós sabemos quem são e vamos responsabilizá-los".

"Vamos renunciar progressivamente ao fornecimento russo de petróleo em um período de seis meses e de produtos derivados do petróleo até o fim do ano", afirmou a dirigente no Parlamento Europeu de Estrasburgo.

Von der Leyen admitiu que a tarefa "não será fácil. Alguns Estados dependem em grande medida do petróleo russo. Mas temos que trabalhar na questão".

A intenção, acrescentou, é que a proibição inclua todo o petróleo russo "transportado por mar e por oleodutos, bruto e refinado".

Fontes diplomáticas em Bruxelas confirmaram à AFP que a proposta foi distribuída aos países pouco antes da meia-noite de terça-feira.

O pacote precisa ser aprovado por unanimidade pelos Estados-membros para que possa ser implementado e, segundo uma fonte diplomática, a lista de pessoas e entidades objetos de sanções pode sofrer modificações.

- Questão sensível -

A suspensão das importações europeias de petróleo russo é uma questão muito delicada, pois vários países do bloco são muito dependentes do combustível procedente da Rússia para manter suas indústrias funcionando.

Von der Leyen declarou que a interrupção das importações acontecerá "de maneira a permitir a nós e aos nossos sócios assegurar rotas alternativas de abastecimento e minimizar o impacto nos mercados globais".

Documentos internos aos quais a AFP teve acesso confirmam que a proposta é adotar uma exceção até o fim de 2023 para Hungria e Eslováquia, dois países que dependem quase totalmente do petróleo russo.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, apontou que sanções são "uma faca de dois gumes. Ao tentar nos prejudicar, também terão que pagar um preço elevado. Já estão pagando um preço alto. E o custo das sanções para os cidadãos da Europa crescerá dia a dia"

- Sanções -

Além disso, no pacote a UE propõe fechar o espaço europeu a "três grandes emissoras estatais russas".

"Não permitiremos mais que distribuam seu conteúdo na UE, em qualquer forma, por cabo, através de satélite, na internet ou por aplicativos de smartphones", disse.

As emissoras foram identificadas como "alto-falantes que amplificam as mentiras de (Vladimir) Putin e a propaganda de forma agressiva. Não devemos mais dar a elas um palco para divulgar estas mentiras".

No discurso, Von der Leyen anunciou que a UE pretende que o novo pacote de sanções inclua três bancos russos, incluindo o Sberbank, o maior do país.

Atingir os "bancos de importância sistêmica essencial para o sistema financeiro russo" reforçará o "isolamento total" da Rússia e enfraquecerá sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia, disse a alemã.

Como consequência das sanções da UE, sete instituições financeiras russas já foram excluídas do sistema SWIFT, um mecanismo interbancário de mensagens que permite ordens de transferência e de pagamento internacionais.

Von der Leyen delineou desta forma o sexto pacote de sanções contra a Rússia pela guerra na Ucrânia, que inclui uma grande lista de personalidades que seriam sancionadas, incluindo o chefe da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill, o porta-voz do governo e sua família.

De acordo com os documentos aos quais a AFP teve acesso, Kirill é descrito como um "aliado de longa data do presidente Vladimir Putin e que se tornou um dos principais apoiadores da agressão militar" na Ucrânia.

O patriarca Kirill é o principal líder da Igreja Ortodoxa russa, que tem 150 milhões de fiéis no mundo.

- Oposição húngara -

A Hungria rejeitou nesta quarta-feira a proposta da União Europeia (UE) de bloquear de forma gradual as importações de petróleo da Rússia, alegando que "em sua forma atual" a medida "destruiria totalmente a segurança energética" do país.

Este projeto "não pode ser apoiado de maneira responsável em sua forma atual, não podemos votar com responsabilidade por ele", disse o ministro húngaro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto.

Foi proposta uma derrogação para permitir que a Hungria e a Eslováquia continuem as suas compras da Rússia durante um certo tempo, uma vez que estes dois países estão bloqueados e são totalmente dependentes do abastecimento através do gasoduto Drujba, na ausência de conexões com o resto da UE , disseram dois funcionários europeus à AFP.

Mas o prazo de um ano não é suficiente, insistiu Szijjarto. "A entrega de petróleo russo, necessário para fazer a Hungria funcionar", seria proibida a partir do final do próximo ano, especificou o ministro. "Isso é impossível", destacou.

"Não é uma questão de falta de vontade ou de calendário, é simplesmente uma realidade física, geográfica e de infraestruturas", explicou.

A UE lançou, nesta quarta-feira, a proposta de bloquear gradualmente suas importações de petróleo da Rússia, ao apresentar seu sexto pacote de sanções contra Moscou pela guerra na Ucrânia.

Deve ser aprovada com unanimidade, embora em alguns casos as propostas possam ser atenuadas.

O objetivo é que entre em vigor na 72ª jornada da Europa, em 9 de maio. Nessa mesma data, a Rússia celebra o "Dia da Vitória" sobre a Alemanha nazista.

A Comissão Europeia defende uma "proibição de todo o petróleo russo, bruto e refinado, transportado por mar e por oleoduto", explicou sua presidente Ursula Von der Leyen aos eurodeputados em Estrasburgo.

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