UE propõe nova agenda a Biden, para virar a página de Trump

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A presidente da Comissão europeia, Ursula Von Der Leyen em Bruxelas, em 29 de outubro de 2020
A presidente da Comissão europeia, Ursula Von Der Leyen em Bruxelas, em 29 de outubro de 2020

A União Europeia (UE) sugeriu nesta terça-feira (10) ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, a adoção de uma nova agenda transatlântica, com o objetivo de virar a página da época de tensões com Donald Trump.

Em uma mensagem por videoconferência aos embaixadores na UE, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que é hora de iniciar um novo capítulo.

"É o momento de uma nova agenda transatlântica", disse Von der Leyen aos diplomatas.

Ela destacou que a aliança ocidental construída sobre a cooperação entre Estados Unidos e Europa ainda perdura, "baseada em valores e em história compartilhados".

Ursula se referiu ainda ao impacto sentido pela Europa sob Trump, com tarifas e ameaças de guerra comercial, a retirada dos Estados Unidos de acordos e organizações internacionais e questionamentos sobre a aliança de defesa.

Por isso, Von der Leyen disse que as coisas não poderão voltar ao que eram antes, mesmo com a vitória de Joe Biden nas eleições americanas.

"Algumas mudanças nas prioridades e percepções são muito mais profundas que os de um único político, ou administração. E não desaparecerão apenas por uma eleição", completou.

"Não podemos fazer o tempo voltar atrás", afirmou, acrescentando que, por essa mesma razão, não é possível "voltar à mesma agenda exata que tínhamos há cinco anos".

Uma nova agenda, opinou, "deveria cobrir tudo, da segurança à sustentabilidade; da regulação tecnológica ao comércio; do nivelamento do terreno econômico global ao fortalecimento das instituições globais".

A dirigente alemã expressou sua confiança em que Biden cumprirá sua promessa de que os Estados Unidos retornarão para o Acordo de Paris sobre o Clima, abandonado por Trump.

"Nossa abordagem deve estar em proporcionar uma liderança conjunta para abordar os desafios globais de hoje, sem sentir nostalgia pelo mundo de ontem", apontou.

Von der Leyen também mencionou as tentativas europeias de regular a atuação dos gigantes de Internet, como Google, Amazon e Facebook, um assunto que gerou atritos com Washington.

"Não é possível que os gigantes comerciais se beneficiem enormemente do nosso mercado único, mas não paguem impostos onde deveriam", frisou.

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