UE sugere que eleições poderiam permitir acordo político na Venezuela

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

As eleições que a Venezuela deve realizar este ano para eleger prefeitos e governadores abrem uma nova oportunidade para o governo e a oposição chegarem a um acordo político, avaliou nesta segunda-feira (22) o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

"Ainda não sabemos como vai evoluir a situação na Venezuela, mas as eleições podem trazer uma nova oportunidade para buscar um acordo entre o governo e a oposição", afirmou Borrell ao final da reunião de chanceleres da União Europeia (UE).

Esse acordo "não foi possível nas últimas eleições", ressaltou Borrell, referindo-se às eleições legislativas do ano passado, a qual os principais partidos da oposição, liderados pelo líder da oposição Juan Guaidó, boicotaram.

"Mas talvez possa acontecer nas próximas. A UE fará tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar", acrescentou.

Em 2020, a UE tentou negociar com todos os partidos um adiamento das eleições por alguns meses para renovar a Assembleia Nacional, para dar tempo de negociar as condições de participação da oposição e assim abrir a porta ao envio de uma missão de observação eleitoral.

As negociações não avançaram e as eleições foram realizadas na data marcada, 6 de dezembro. A UE, como os Estados Unidos, não reconheceu os resultados destas eleições e, portanto, a legitimidade desta Assembleia em que o chavismo e seus aliados controlam 256 dos 277 assentos.

A Venezuela planeja realizar eleições este ano para escolher prefeitos e governadores, em data ainda não definida pela autoridade.

De qualquer forma, Borrell anunciou que a situação na Venezuela fará parte da agenda do encontro que realizará quarta-feira em Bruxelas com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken.

"É claro que falaremos sobre a Venezuela", afirmou Borrell. "Com o novo governo, acho que será possível coordenar nossas posições sobre a Venezuela", acrescentou .

Em fevereiro, as relações entre Bruxelas e Caracas sofreram um forte revés.

Diante da decisão da UE de ampliar a lista de funcionários venezuelanos sancionados, o governo de Nicolás Maduro declarou a embaixadora do bloco em Caracas persona non grata, medida à qual a UE respondeu imediatamente com reciprocidade.

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