UFF acumula perdas de R$ 439 milhões desde 2015

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NITERÓI — Desde 2015, a UFF vem sofrendo cortes orçamentários do governo federal que sacrificam o seu pleno funcionamento: a instituição acumula uma perda de R$ 439 milhões nos últimos sete anos. Este valor é resultado apenas da correção monetária anual, sem considerar qualquer novo investimento eventualmente necessário nem o aumento no número de alunos da universidade ao longo dos anos. Em 2021, a UFF tem o menor orçamento da última década.

Assim como todo o serviço público federal, a situação financeira da UFF se agravou em 2017, após a PEC do teto de gastos entrar em vigor, na gestão de Michel Temer na presidência. No acumulado desde então, a redução no orçamento da UFF é de R$ 424 milhões. Os outros R$ 15 milhões foram cortados em 2015 e 2016, ainda sob o comando da então presidenta Dilma Rousseff.

Este ano, a UFF teve um corte de 19% em relação a 2020: de R$ 175 milhões para R$ 143 milhões, fazendo os recursos discricionários — usados para gastos com terceirizados, água, energia, internet, compra de insumos, manutenção e aquisição de patrimônio — caírem em R$ 32 milhões.

Além disso, R$ 22,7 milhões deste orçamento estão bloqueados pelo governo federal, que já anunciou que a liberação ocorrerá de acordo com a arrecadação fiscal. Hoje, a UFF tem um orçamento liberado de R$ 120,1 milhões, 68% do que foi recebido em 2020 e que já eram insuficientes para a sua plena manutenção.

Além de a receita sofrer cortes anualmente, os valores ficam ainda mais defasados se considerada a inflação acumulada no período: enquanto todos os gastos sofrem reajustes previstos em contrato, a entrada de verba segue caminho oposto.

Segundo o reitor Antonio Claudio da Nóbrega, a UFF tem um custo mensal discricionário de cerca de R$ 12 milhões, incluindo contratos de serviços, mensalidades das concessionárias e parte das bolsas estudantis.

— Uma receita mensal de R$ 12 milhões é muito modesta para uma estrutura de 70 mil pessoas, incluindo alunos, professores e funcionários espalhados por 11 municípios do estado do Rio. Com o que temos, o dinheiro dura até julho. Se o governo federal desbloquear a verba restante, ganhamos sobrevida até setembro — afirma.

Ele conta que vem renegociando e encerrando contratos e que, mesmo com as dificuldades, a UFF se livrou das dívidas com fornecedores. Garante ainda que, apesar dos recursos insuficientes, a UFF não fechará.

— Só conseguimos passar por 2020 porque as aulas foram remotas. Reduzimos contratos, cortamos todos os telefones corporativos e, para atrair empresas, quitamos todas as dívidas. Justamente por termos conseguido esse feito, posso garantir que a UFF não vai fechar — estima.

O reitor destaca ainda que recebeu ajuda de diferentes bancadas no Congresso, que destinaram emendas para a conclusão de obras como um novo prédio em Campos e o novo prédio de Medicina, em Niterói. A UFF também tem quase 80 projetos contratados pela prefeitura para o planejamento estratégico da cidade, o que ajuda no orçamento.

— Semana passada, a Comissão de Educação da Câmara Municipal fez uma audiência pública, e os vereadores e deputados se dispuseram a lutar pela UFF. Foi uma afirmação de que, apesar de eventuais diferenças, estamos unidos em defesa deste patrimônio do povo— diz Nóbrega.

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