UFF festeja Paulo Freire com artes e debates

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NITERÓI — O centenário do humanista, filósofo e educador Paulo Freire, falecido em 1997, será celebrado na Universidade Federal Fluminense (UFF) durante a 11ª edição do Interculturalidades, entre os próximo dias 21 e 30, cujo tema será “Primaverar, viver Freire”. Dentre os convidados confirmados no evento virtual, que será transmitido nas redes sociais do Centro de Artes UFF, estão Leonardo Boff, Luiza Erundina, Daniel Munduruku e pesquisadores que escreveram sobre Freire.

No dia 19, o educador completaria 100 anos, e esta data se soma a outra marcante para a instituição, já que, há 25 anos, em 27 de agosto de 1996, a UFF concedeu a Freire o título de doutor honoris causa.

Além de conferências e oficinas, o evento terá atrações artísticas, como duas peças, um show de samba com tributo a Ké Keti e oficinas de jongo, bordado e línguas guarani e iorubá, além de rodas de conversas com lideranças indígenas, quilombolas, caiçaras e movimentos populares.

O reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, destaca a importância de celebrar o centenário de Paulo Freire e os 25 anos do título que lhe foi concedido pela universidade:

— O legado de Paulo Freire é de valor inestimável para o Brasil e para o mundo. Como pensador e patrono da educação brasileira, influenciou diferentes campos. Suas ações educativas revolucionaram áreas de saber e vidas, confluindo para transformações pautadas na justiça social. A UFF é a instituição pública de ensino superior com o maior número de alunos ingressantes em todo o país, o que demonstra o engajamento e o desejo de cumprimento do nosso papel social.

O evento resulta da parceria entre a Pró-Reitoria de Graduação, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, a Faculdade de Educação UFF, o Instituto de Educação de Angra dos Reis UFF e o Centro de Artes UFF.

Superintendente do Centro de Artes, Leonardo Guelman afirma que “Primaverar, viver Freire” propõe um amplo diálogo crítico num momento de abatimento do país. Sobre críticas a Freire feitas nos últimos tempos por políticos conservadores, ressalta que carecem em grande parte de densidade e fundamentação:

— Ele aparece como um problema para um determinado matiz político do Brasil que não aceita o cerne da sua proposta, calcada na autonomia das pessoas e na visão de que todo processo educativo é também transformador e emancipador. Freire sempre se contrapôs à ideia de que a educação fosse pensada como uma espécie de treinamento que não apresentasse qualquer questionamento da condição de vida dos sujeitos.

Para Guelman, o pensamento de Freire continua atual e necessário para o Brasil de hoje e inspira práticas educacionais país adentro.

— A linha política que o refuta não se propõe a compreender sua proposta, justamente por não aceitar seus efeitos e os desdobramentos na formação e conscientização dos indivíduos. Foi sobretudo a partir do acirramento da recente crise política que os ataques envolvendo Freire ganharam força — afirma. — As refutações mais recentes ao seu trabalho evidenciam projetos de uma sociedade excludente, que nega a diversidade e a multiplicidade de ideias e pensamentos, apontando para um retrocesso das conquistas sociais do país.

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