UFRJ registrou 45,5% de calouros pretos e pardos em 2019, aponta levantamento da instituição

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) registrou em 2019 o ingresso de 45,5% de alunos pretos e pardos. A informação é do Visualiza UFRJ, banco de dados que será lançado em setembro pela instituição centenária, e foi noticiada pelo Lauro Jardim.

O percentual, apesar de ainda não ser equilibrado, representa uma mudança de perfil dos estudantes nas últimas décadas. Em 1993, primeiro ano analisado no levantamento, apenas 66 alunos negros se matricularam e os brancos predominavam, ocupando 88,6% das vagas.

A reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, destaca que a universidade está mais representativa do perfil étnico da sociedade brasileira no que diz respeito aos estudantes de graduação, mas avalia que ainda é preciso avançar em políticas de assistência estudantil que garantam a permanência dos alunos.

"Ainda há um elevado grau de evasão na UFRJ e outras universidades, e isso precisa mudar", afirma a reitora, em nota.

A UFRJ enfrenta também outro desafio: fazer com que seus quadros, tanto de técnicos-administrativos quanto de professores, tenham mais pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

"Até 2019, quando a atual reitoria assumiu, não havia política efetiva de reserva de vagas nos concursos para docentes. O Conselho Universitário aprovou nova resolução e, a partir dos próximos editais de concurso, haverá efetivamente a distribuição de vagas destinadas a pretos, pardos, indígenas e portadores de deficiência", afirma a reitora. Ela conseguiu destinar 20% do total de vagas para cotas nos próximos editais, mudando o critério anterior, quando o percentual só incidia quando havia ao menos três vagas em determinado setor.

A composição dos estudantes da UFRJ por raça desde 1993 estará disponível no Visualiza UFRJ, que vai ser apresentado durante o "UFRJ+100: desafios para o Brasil". O evento on-line reunirá, nos dias 8, 9 e 10 de setembro, professores da instituição e convidados para debater temas da atualidade como crise climática e desafios da pandemia.

Também será possível acessar dados sobre renda dos calouros, informações sobre tamanho dos cursos, qualificação dos professores e palavras mais usadas em pesquisas acadêmicas.

O levantamento evidencia, por exemplo, a mudança nos cursos: Medicina já deixou de ser o com mais alunos. Apesar de ainda ter a maior nota de corte, perdeu o posto para a Faculdade de Direito. O Visualiza UFRJ é produzido em parceria pelo LabVis da Escola de Belas Artes e do Laboratório de Computação Gráfica da Coppe.

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