Um ano de pandemia: Mônica Calazans, primeira vacinada no Brasil, continua a defender distanciamento social

Alma Preta
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Nurse Monica Calazans, 54, shows her vaccination card after being the first Brazilian to receive the COVID-19 vaccine produced by China’s Sinovac Biotech Ltd, at the Hospital das Clinicas in Sao Paulo, Brazil, Sunday, Jan. 17, 2021. (AP Photo/Carla Carniel)
Nurse Monica Calazans, 54, shows her vaccination card after being the first Brazilian to receive the COVID-19 vaccine produced by China’s Sinovac Biotech Ltd, at the Hospital das Clinicas in Sao Paulo, Brazil, Sunday, Jan. 17, 2021. (AP Photo/Carla Carniel)

Texto: Juca Guimarães Edição: Nataly Simões

A enfermeira Mônica Calazans, 54 anos, mora na Zona Leste de São Paulo e trabalha no Pronto Socorro de São Mateus, na mesma região, e no Hospital Emílio Ribas há mais de 35 anos. Ela foi a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no país. Um ano atrás, no mesmo 26 de fevereiro, o Brasil confirmava o primeiro caso da doença, que desde então matou mais de 250 mil brasileiros. Só na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), Mônica tem mais de 22 anos de experiência e continua a defender os cuidados para evitar a propagação do vírus.

“Não é porque eu já tomei a vacina que vou deixar de usar máscara e tomar os cuidados. É uma obrigação de todos. Não podemos colocar a vida das outras pessoas em risco. Sei que não é fácil, mas tem que ser feito. Eu também fiquei muito triste no começo quando vi que não poderia mais abraçar e beijar as pessoas. A mudança de comportamento [distanciamento social] é uma medida de saúde muito importante”, conta a profissional da saúde, em entrevista à Alma Preta.

Mônica tomou a primeira dose da Coronavac em 17 de janeiro e a segunda em 12 de fevereiro. Por ser profissional de saúde e ser portadora de diabetes e hipertensão, ela se encaixa no grupo de risco para o coronavírus. “Eu tento manter uma alimentação boa, não faço academia porque trabalho em dois empregos, mas levo uma vida tranquila com descanso na medida do possível”, revela.

A profissional de saúde tem um filho de 30 anos e é viúva há quatro. A mãe dela tem 74 anos e a previsão é de que em março também seja imunizada. “É um alívio saber que a população será imunizada e que vamos superar isso”, comenta.

Em maio do ano passado Mônica participou como voluntária do processo de pesquisa para um imunizante contra a Covid-19. “Eu via os pacientes chegando, era desesperador. Eu percebi que o bicho estava pegando e todas as iniciativas eram importantes. Então eu me ofereci como voluntária para os estudos. Teve uma seleção no hospital e pedi para colocarem o meu nome”, lembra a enfermeira. Além disso, na mesma época, em maio, seu irmão contraiu o vírus.

Negacionismo da ciência e importância do SUS

Para a enfermeira, a negação do risco da Covid-19, por uma parcela da população, foi um fator que prejudicou uma ação mais eficiente dos cientistas e profissionais de saúde. “Eu acredito na ciência e as pessoas têm que entender que está muito avançada, evolui muito e isso é ótimo. Não daria para esperar mais cinco anos até desenvolver uma vacina nos protocolos antigos. Quantas pessoas a mais iriam morrer enquanto isso? A vacina está aí e a ciência está de parabéns”, reforça.

Depois de um ano de pandemia, no entanto, Mônica avalia que o SUS (Sistema Único de Saúde) foi fundamental para evitar uma situação muito mais grave. “A saúde pública deu uma resposta muito rápida. Nós profissionais da saúde nos desdobramos para salvar vidas. As campanhas de vacinação no Brasil são muito bem organizadas”, considera.