Um ano depois, sobrevivientes do desabamento do metrô no México exigem sua demolição

Familiares de vítimas do fatal acidente da Linha 12 do metrô da Cidade do México protestam na capital mexicana no primeiro aniversário da tragédia, em 3 de maio de 2022 (AFP/Claudio CRUZ) (Claudio CRUZ)

Abraçados, chorando e indignados com o "abandono" do Ministério Público local, sobreviventes e familiares dos mortos no desabamento de um trecho elevado do metrô da Cidade do México marcaram nesta terça-feira (3) o primeiro aniversário da tragédia.

"Não há nada que possa restaurar a vida dos nossos familiares (...), mas hoje queremos deixar uma marca e queremos que isso não volte a acontecer", disse Marisol Tapia, mãe de um menino de 12 anos que faleceu na trágica noite de 3 de maio de 2021.

As vítimas colocaram cruzes de mais de dois metros de altura feitas com lírios e rosas vermelhas ao pé da viga caída da Linha 12. Mantas pretas cobrem parte da estrutura destruída há um ano, que deixou 26 mortos e dezenas de feridos.

"Hoje fomos nós, mas queremos evitar que amanhã outra desgraça como essa aconteça", acrescentou a mãe de Brandon Giovanni, que viajava no metrô naquela noite para comprar um presente para ela.

O Grupo Carso, do magnata mexicano Carlos Slim, afirmou que vai reparar a via colapsada e reforçar a parte que construiu do trecho elevado para adaptá-la às novas exigências que o governo local implementou após um terremoto, que deixou mais de 369 mortos em 2017.

Mas este grupo de 12 familiares, separado dos demais, considera que é necessário que todo o trecho seja demolido, por temores de que volte a desabar.

- Graves sequelas -

"Estou à deriva por falta de apoio", diz Santiago, que confessa entre lágrimas que tentou suicídio duas vezes. "Tenho uma coxa quebrada, problemas na tíbia também e não consigo andar", conta ele.

Na noite de 3 de maio, Santiago viajava em um dos vagões que ficaram pendurados após o colapso da viga na altura da estação Olivo, no populoso leste da metrópole.

Noventa por centro dos parentes dos falecidos e dos feridos assinaram acordos de indenização com a construtora de Slim, que incluem uma cláusula de confidencialidade e a promessa do beneficiário de se abster de qualquer ação judicial no futuro.

No entanto, o acordo, vazado na imprensa, estabelece também que a empresa não admite qualquer culpa no incidente.

Esse grupo de 12 familiares se recusa a assinar esses acordos porque, segundo eles, o Ministério Público da capital mexicana não considerou os laudos periciais para calcular a indenização pelo dano integral.

“Sabendo que não há quantia que possa reparar a perda de um ente querido e de acordo com o princípio da justiça alternativa, foi elaborado um diagnóstico que ponderou os rendimentos que as vítimas deixaram ou deixarão de receber", explicou a procuradora-geral da Cidade do México, Ernestina Godoy, em mensagem divulgada na segunda-feira.

A investigação fiscal concluiu que o desabamento foi causado por "erros na sua construção" que colocaram em risco "a estabilidade estrutural" dessa parte da obra.

Oito ex-funcionários e dois representantes legais foram acusados pela provável prática de homicídio e danos culposos. Uma audiência marcada para segunda-feira foi adiada para 6 de junho porque um dos acusados não compareceu.

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