Um ano sem Beth Carvalho: Luana, filha da sambista, e outros artistas prestam homenagens com lives

Amanda Pinheiro

‘É a saudade que me diz que ainda é tempo pra viver feliz’’, já cantava Beth Carvalho, a Madrinha do Samba, que nos deixou há exatamente um ano, mas eternizou sua voz em inúmeras canções marcantes da música brasileira. E não haveria melhor forma de lembrá-la e reverenciá-la que não fosse com batuque do bom. Artistas, amigos e parentes vão celebrá-la, a partir de hoje, com lives nas redes sociais. Na TV, Beth ganha, ainda, a exibição de um documentário.

Com convidados, uma das transmissões especiais será feita pela cantora Luana Carvalho, filha da sambista. A live acontece amanhã, em seu perfil no Instagram, a partir das 18h30. Além disso, hoje, ela lança a playlist “Quarentena de cinzas”, com canções de Beth Carvalho que marcaram sua vida e a da mãe.

— Esse carinho que ela recebe é merecido. Minha mãe lutou muito para poder ocupar este lugar. E não é pelo fato de ser minha mãe, mas ela marcou o samba, e isso é para sempre. Não foi só uma cantora, intérprete e mulher incrível. Ela ocupou um lugar na história da cultura e defendeu bandeiras — destaca Luana.

Um dos últimos afilhados de Beth, Enzo Belmonte, de 18 anos, pôde ver a relação de fã com seu ídolo se transformar em uma grande amizade. Ele, que vai fazer uma série de lives até o dia 5 de maio, data do aniversário da sambista, foi responsável pela última gravação dela, a canção “Trovador urbano’’.

— Acredito que cada um de nós tenha um pouco da Beth dentro de si. Nós tínhamos uma relação linda! Eu me lembro de uma vez em que ela estava internada, bem debilitada. Assim que comecei a tocar cavaquinho, tive a impressão de que a dor dela sumiu. Foi marcante. Essa semana de lives que eu vou fazer é um agradecimento ao legado que ela nos deixou — afirma o rapaz.

Beth também era madrinha de Xande de Pilares. O cantor fará sua primeira live amanhã e, além de seus sucessos, interpretará músicas eternizadas na voz dela:

— Sempre ouvi várias cantoras, mas Beth me chamou mais atenção. Não desmerecendo ninguém, mas ela frequentou um ambiente onde havia compositores com muito talento, pouco reconhecidos. Deu espaço para eles. Quando eu fiz “Samba de Arerê’’, minha primeira parceria com Arlindo Cruz, ele mandou a composição para ela. Desde então, Beth se tornou minha madrinha e gravou essa composição.

Para quem, além das canções da sambista, quer resgatar sua história, o Canal Bis exibe, hoje, o documentário “Beth Carvalho”. A produção fala sobre a vida e a carreira dela, com a participação de convidados como Martinho da Vila e Roberto Menescal.

 

Ainda sem ter feito uma transmissão ao vivo, apesar de incontáveis pedidos dos fãs, um dos companheiros inseparáveis e afilhado de Beth, Zeca Pagodinho, faz questão de lembrar da importância dela nesta data.

— Quanta falta faz essa mulher guerreira, que revolucionou e manteve sua força e canto até o fim! Seremos sempre gratos a ela — declara Zeca.