Um anos depois de protestos, presidente cubano afirma que país sairá da 'situação complexa'

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que seu país sairá "da situação complexa" em que se encontra, enquanto as ruas de Havana transpareciam calma nesta segunda-feira, um ano depois das históricas manifestações de 11 de julho de 2021, quando milhares de manifestantes foram às ruas em várias cidades da ilha. Uma forte presença de agentes de segurança à paisana podia ser observada desde o fim de semana em alguns centros nevrálgicos da cidade.

Prisão ou exílio: um ano após protestos históricos, cubanos têm menos liberdade e mais repressão

Entrevista: 'Governo Bolsonaro demonstrou ter muitas semelhanças com regime castrista', diz ativista cubana

Os moradores da capital cubana iniciaram a semana com suas atividades cotidianas nas escolas e locais de trabalho, embora dezenas de dissidentes, artistas e jornalistas independentes tenham denunciado que foram alertados pela polícia para não sair de casa. Alguns inclusive tinham patrulhas em frente às suas casas.

No Twitter, Díaz-Canel disse que está convencido de que "também vamos sair desta situação complexa. E vamos sair revolucionando".

"A Revolução sempre está se revolucionando e fez isso em um cenário de constante assédio econômico, político e ideológico. "Se há algo para comemorar neste 11 de julho, é a vitória do povo cubano, da Revolução Cubana", acrescentou o presidente cubano.

Na sexta-feira passada Díaz-Canel afirmou, em uma reunião com artistas e intelectuais, que o que Cuba realmente festejaria neste primeiro aniversário é que "o povo cubano e a Revolução cubana desmontaram um golpe de Estado vandalístico".

Entenda: Chegada da internet no celular foi determinante para dimensão e politização dos protestos em Cuba

Conectados: Quem são os jovens que lideram a nova oposição cubana

Os protestos terminaram em um morto, dezenas de feridos e mais de 1.400 detidos, segundo a Cubalex, uma ONG de direitos humanos com sede em Miami. Destes, metade foi processado em julgamentos considerados arbitrários por diversas organizações de direitos humanos. Dentre os julgados, mais de 400 pessoas, segundo o próprio governo, foram condenadas.

Um relatório de 37 páginas publicado nesta segunda-feira pela Humans Rights Watch (HRW) denuncia um grande número de violações de direitos humanos cometidas no contexto dos protestos, incluindo prisões arbitrárias, processos criminais abusivos e tortura.

Nesta segunda-feira, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou que seu país admira "a determinação" do povo cubano "contra a opressão" e apoia "sua luta". Em um comunicado, o secretário de Estado afirma que o governo do presidente Joe Biden elogia a "determinação indomável (do povo cubano) contra a opressão".

Repressão: Presos em protestos em Cuba enfrentam penas de até 30 anos de prisão

Crise: População de Cuba sofre com escassez de leite devido a embargo dos EUA e baixa produção interna

"Ao povo cubano: os americanos observaram com admiração, em 11 de julho de 2021, como dezenas de milhares de vocês foram às ruas para erguer suas vozes pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e por uma vida melhor", acrescenta.

Segundo o secretário de Estado, o objetivo é garantir que as autoridades cubanas sejam responsabilizadas "pelos abusos contra os direitos humanos", condenar "as restrições às liberdades fundamentais e aos direitos trabalhistas", pedir a libertação incondicional de presos políticos e incentivar seus aliados a fazer o mesmo.

As autoridades cubanas afirmam que as manifestações foram organizadas pelos Estados Unidos. Na nota, Blinken afirma que os Estados Unidos consideram "inaceitável" que esses manifestantes permaneçam atrás das grades e afirmam que continuarão "apoiando o povo cubano (...) em sua luta pela democracia".

História: Cuba pede o fim do embargo dos EUA, que completa 60 anos hoje

Relação com os EUA: Biden alivia restrições a Cuba, facilitando emissão de vistos e remessas de moeda para familiares

Quando chegou à Casa Branca, em janeiro de 2021, Biden prometeu rever a política dos Estados Unidos em relação a Cuba. A ilha se encontra desde 1962 sob embargo americano.

Em maio deste ano, ele anunciou que suspenderia algumas das restrições impostas à ilha sob o mandato de seu antecessor Donald Trump, para facilitar os procedimentos de imigração, transferências de dinheiro e voos. A decisão foi bem-recebida por Havana.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos