Um breve guia para não se sentir perdido na festa do Grammy

Luccas Oliveira
·3 minuto de leitura

Desde a edição de 2019, quando a Academia da Gravação aumentou de cinco para oito o número de indicados às quatro principais categorias do Grammy — gravação, canção, álbum e revelação do ano —, grande parte do público passou a ter que acompanhar a cerimônia com uma aba do Google aberta em seu navegador.

A decisão deve ser comemorada, claro, pois gerou impacto imediato na diversidade de gênero, raças e nacionalidades dos indicados. Mas pode causar certa confusão, como em 2019, quando a cantora Kacey Musgraves, até então pouco conhecida no Brasil, levou o gramofone de álbum do ano por “Golden hour”, sua mistura de country e pop.

Efeito parecido deve acontecer hoje, a partir das 21h, quando a Academia realiza a 63ª entrega dos Grammys, quase dois meses após sua data original. Entre nomes conhecidos por todos, como Beyoncé (dona do maior número de indicações, com nove), Coldplay, Taylor Swift e Billie Eilish — a ex-novata que levou tudo em 2020 —, aparecem nas quatro categorias mais cobiçadas Black Pumas, Jhené Aiko, Roddy Ricch, Doja Cat e outros que, apesar de consolidados no cenário pop americano, ainda não são tão populares ao sul do Equador.

Por isso, aqui vai um guia sobre alguns desses artistas para ajudar na hora da cerimônia — que será virtual e contará com performances remotas de Harry Styles, Taylor Swift, John Mayer, Billie Eilish e mais.

Roddy Ricch (6 indicações)

O rapper de apenas 22 anos nasceu em Compton, Califórnia, um dos grandes celeiros do rap. Ele já tem até um Grammy em casa — o de melhor performance de rap, ano passado, por ter participado da faixa “Racks in the middle”, de Nipsey Hussle, morto em 2019 —, mas explodiu por conta própria agora com o trap “The box”, considerada a música de melhor resultado comercial do primeiro semestre de 2020 nos EUA.

DaBaby (4 indicações)

Com três álbuns lançados entre 2019 e 2020, o rapper de 29 anos vive sua melhor fase tanto artística quanto em números. Conhecido por sua abordagem agressiva ao entregar os versos, como quem esmaga as sílabas, DaBaby tem chances de ser premiado por “Rockstar”, parceria com Roddy Ricch, que ganhou força ao receber novos versos inspirados pelo movimento Black Lives Matter.

Doja Cat (3 indicações)

A americana de 25 anos faz música desde adolescente, e nas diferentes frentes: canta, faz rap e também produz suas próprias batidas e melodias. A faixa pop chiclete “Say so” é seu trunfo hoje. Indicada como revelação, a artista de Los Angeles pode ser atrapalhada por já ter sido cancelada nas redes por declarações vistas como homofóbicas e racistas.

Jhené Aiko (3 indicações)

Revelada pelas participações em músicas e clipes da boy band de rhythm and blues B2K, Jhené chegou a abandonar a música para se dedicar aos estudos. Acabou voltando como artista solo, sendo elogiada por sua doce voz soprano. Aos 32 anos, gosta de dizer que faz um “R&B alternativo”, que pode se aproximar tanto do hip-hop quanto da música clássica e da psicodelia. É o que ela resume em “Chilombo”, que disputa o Grammy de álbum do ano.

Black Pumas (3 indicações)

O duo de Austin, Texas, tinha tudo para ser comentado no Brasil, já que viria a fazer seus primeiros shows aqui em abril de 2020. A pandemia impediu o debute, mas o projeto formado pelo cantor e compositor Eric Burton e pelo guitarrista e produtor Adrian Quesada merecem ser ouvido pelo soul psicodélico que produziram em seu álbum epônimo, cheio de peso e riffs marcantes.

Ingrid Andress (3 indicações)

A cantora e compositora de 29 anos é a mais nova revelação da fábrica de sucessos country de Nashville. Em 2020, ela lançou seu primeiro álbum, “Lady like”, que tem relação com a música tradicional americana e com o pop como fizeram Taylor Swift e Kacey Musgraves num passado não tão distante.