Um dia após acionar STF contra medidas de restrição, Bolsonaro vai a comunidade no Distrito Federal

Jussara Soares e Paula Ferreira
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Um dia após acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar medidas de restrições adotadas por governadores como enfrentamento à pandemia da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro esteve neste sábado em uma comunidade localizada entre Taguatinga e Ceilândia, no Distrito Federal.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Bolsonaro, de máscara, posa para fotos com crianças. “Local onde os efeitos do ‘fique em casa’ são mais sentidos”, escreveu em uma publicação no Twitter.

O presidente estava acompanhando do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, que também usava máscara. Já os seguranças que aprecem no vídeo dispensaram o item de proteção.

Reunião com futuro ministro da Saúde

Antes de ir à comunidade, Bolsonaro e Onyx se reuniram com o cardiologista Marcelo Queiroga, indicado novo ministro da Saúde.

Segundo interlocutores, a reunião foi para discutir o atual panorama da Covid-19 e ações de combate à pandemia. A conversa durou cerca de duas horas e, em seguida, Bolsonaro seguiu para a comunidade.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro contrariou diversas vezes o distanciamento social, causou aglomeração e evitava o uso da máscara.

Diante da pressão pelo agravamento da crise e pela abertura de uma CPI para apurar a atuação do governo na pandemia, o presidente surgiu de máscara no dia 10 de março na cerimônia de sanção de projetos de lei que ampliam a capacidade de aquisição de vacinas.

Mesmo assim, o acessório não é usado com frequência e é dispensado pelo presidente, por exemplo, na conversa com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada.

O Palácio do Planalto vem tentando diminuir os desgastes da imagem do governo diante do aumento do número de mortes focando toda a comunicação no investimento na vacina. O argumento é que a imunização em massa permite o funcionamento normal das atividades econômicas.

Ação no STF

Bolsonaro é contra medidas de isolamento social como forma de diminuir a contaminação da covid-19. Na sexta-feira, o presidente acionou o STF para derrubar decretos dos governos do Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul que restringem a circulação de pessoas.

Na ação, o presidente também solicita que a Corte "estabeleça que, mesmo em casos de necessidade sanitária comprovada, medidas de fechamento de serviços não essenciais exigem respaldo legal e devem preservar o mínimo de autonomia econômica das pessoas".

O Brasil já registra cerca de 290 mil mortos por Covid-19. O aumento no número de casos elevou a quantidade de internações e o sistema hospitalar de todo país enfrenta colapso na disponibilidade de leitos de UTI.

A posse do novo ministro está prevista para a próxima semana. O evento acabou sendo adiado por dois motivos: a busca por um novo cargo para o atual ministro, Eduardo Pazuello, e o fato de Queiroga estar no quadro societário de duas empresas. Para assumir o cargo, o novo ministro precisa se desvincular das sociedades.

Enquanto a posse não acontece, Queiroga e Pazuello tem feito aparições públicas conjuntas para transmitir uma ideia de que não há ruptura na gestão da pasta. Em uma de suas primeiras declarações públicas, Queiroga chegou a dizer que faria uma gestão de "continuidade".