Um dia após chuva, Baixada Santista registra a 19ª morte

Dimitrius Dantas
Bombeiros continuam buscas no Morro do Macaco Molhado, no Guarujá

SÃO PAULO — O número de mortos na Baixada Santista, vítimas das fortes chuvas, chegou a 19 e oficiais do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil ainda buscam 29 pessoas desaparecidas.  Entre as mortes, 15 foram registradas no Guarujá, cidade da região mais atingida. Outras três pessoas morreram em Santos e uma em São Vicente. Entre os mortos estão dois soldados do Corpo de Bombeiros que trabalhavam no resgate.

As chuvas também provocaram a morte de um idoso de 86 anos tragado por um buraco aberto numa casa de repouso em São Vicente. Uma jovem e o filho dela com meses de vida que moravam no Morro dos Macacos, no Guarujá, também estão na lista dos mortos.

Ao todo, o número de desabrigados é de 155 no Guarujá, 37 em Santos e seis em São Vicente, segundo a Defesa Civil. Em comunicado enviado na manhã desta quarta-feira, o órgão afirmou que já foram disponibilizados 15,6 toneladas de materiais de ajuda humanitária (colchões, cobertores, cestas básicas, água santiária e água potável).

A Defesa Civil comunicou ainda que o risco de transtornos continua elevado: embora a frente fria já esteja afastada do estado de São Paulo, é possível a incidência de uma chuva de fraca a moderada em pontos isolados da Baixada Santista.

"Essa precipitação será em forma de pancadas com momentos mais persistentes, que elevarão ainda mais os acumulados de chuva na região. Por conta do solo já estar completamente encharcado, o risco de transtornos continua elevado", afirmou a Defesa Civil.

As chuvas que atingiram a Baixada Santista fazem parte do estabelecimaneto da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Segundo o Climatempo, esse fenômeno típico do verão brasileiro constitui na formação de uma extensa faixa de nuvens que cruza o país do Amazonas ao Rio de Janeiro.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) as chuvas em 2020 têm ocorrido de forma mais concentrada.

"Tomando como exemplo a cidade de São Paulo, durante o mês de fevereiro, as chuvas ocorreram de forma mais concentrada, com grandes acumulados de chuva em poucas horas, intercalados por períodos sem ou com pouca chuva. Destaque para o dia 10 de fevereiro, em que os acumulados de chuva ultrapassaram os 100 mm em 24 horas", afirmou o CPTEC após questionamento do GLOBO.

Segundo dados do Núcleo de Gerenciamento de Emergência da Defesa Civil, o acumulado da chuva foi de 282 mm no Guarujá, 218 mm em Santos e 169 mm em São Vicente. Como padrão de comparação, o volume esperado para todo o mês de março em Santos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é de 257 mm.

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"De todo modo, o dano provocado pela chuva está diretamente associado à localização em que ela ocorre e ao tipo de ocupação do solo. Por exemplo, se a chuva ocorrer em uma região de encostas, com casas construídas de forma inapropriada, o risco de deslizamento é grande. Por isso, os órgãos de monitoramento trabalham no sentido de prevenir eventuais desastres naturais", afirma o CPTEC.