Um dia após desabamento de prédio, moradores de Rio das Pedras vivem expectativa da volta para casa

·3 minuto de leitura

A retirada do entulho do prédio que desabou em Rio das Pedras na madrugada desta quinta-feira foi acompanhada de perto por vizinhos e moradores de edifícios ao lado da antiga construção. A apreensão era sobre a volta para casa. Vizinhos que moram na Rua das Uvas, onde ocorreu o acidente, puderam voltar rapidamente para os apartamentos interditados para buscar objetos pessoais como documentos, roupas e itens de higiene. Em três prédios o acesso não é permitido por risco das estruturas.

Moradores próximos ao prédio que desabou estão abrigados na casa de amigos e familiares na própria comunidade. A busca por notícias faz com que não consigam se afastar por muito tempo do local. A emprega doméstica Patrícia Almeida mora há 16 anos nesta rua. No momento do acidente ela estava em casa apenas com os dois filhos — uma menina de 2 anos e um menino de 11 —, o marido estava fora, trabalhando. Assim que viu o prédio, saiu de casa apenas com as crianças, documentos e celular.

— É a nossa casa que trabalhamos para construir. O que passa na cabeça? Queremos voltar para casa. É triste e doloroso não saber o que vai acontecer. A gente fica ansioso, vai (para casa de amigos) e volta para cá — disse Patrícia.

Moradora de Rio das Pedras desde 2008, em março a Rua da Uva passou a ser o novo endereço da operadora de caixa Erica Pereira, de 33 anos, com a mudança para o apartamento comprado. Apesar de morar perto de morar próximo ao prédio que desabou, pouco teve contato com a família atingida pelo acidente. Nathan de Souza, de 30 anos, uma das vítimas fatais do desabamento, foi quem deu as boas vindas aos novos vizinhos.

— O Nathan me deu as boas vindas. Disse 'Bem vinda, vizinha!'. Ele morava muitos anos ali. Antes a Lan house era embaixo do prédio onde moro, depois que mudou. Vivia cheia de crianças. Elas vinham já no início da tarde gritando para ele abrir. Nesses últimos dias ele estava fechando mais cedo, não sei o porquê — contou Erica.

Ela mora no apartamento com o marido e com o filho de 8 anos. Eles deixaram o apartamento de madrugada, às pressas, sem entender o que acontecia. Agora, Erica quer voltar apenas com o aval de um engenheiro.

— Estamos na casa de amigos daqui que nos acolheram. Se um engenheiro falar que eu posso voltar, eu volto. Minha vida e da minha família é o que tem de mais importante — destacou.

Há um ano no novo endereço, o casal Beatriz Costa, de 20 anos, e Wesley Miguel, de 24 anos, já se pergunta se vão querer permanecer no local. O prédio de quatro andares em que moram abriga também a hamburgueria de Wesley, onde é proprietário e prepara os lanches. Nesta sexta-feira o estabelecimento estava fechado devido ao corte de energia para o trabalho de remoção dos entulhos.

Desde o acidente, Wesley voltou para casa uma vez para pegar alguns itens, como roupas e documentos, sempre acompanhado por agentes da Defesa Civil. O prédio é um dos que devem ser liberados após avaliação de técnicos.

— Nós achamos que era um poste pegando fogo, porque só dava para ver o fogo da nossa janela. A gente correu e começou a falar 'vamos sair, pega os documentos e vamos sair' — contou Beatriz. — Estamos agora tentando informações. Mas nem pensamos em morar aqui, mas em outro lugar. Não é medo de voltar para cá, mas evitar lembrar do que aconteceu.

Segundo a Secretaria municipal de Assistência Social estão em atendimento 73 pessoas de 26 famílias. Ainda "foram ofertados colchonetes, kit travesseiro com lençol e cestas de alimentos A equipe está atendendo as famílias que precisam de atendimento social, como apoio psicológico. Também está sendo dado suporte para os sepultamentos das vitimas".

Ainda na noite de quinta-feira, o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, visitou o local em que prédio desabou. Ao longo do dia, durante as celebrações de Corpus Christi, Dom Orani rezou nas intenções dos atingidos pela tragédia. A Paróquia São João Batista ofereceu café da manhã nesta sexta-feira às famílias que tiveram que deixar suas casas.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos