Um dia após incêndio, mulher procura pai, de 93 anos, que estava internado no Hospital de Bonsucesso

Pedro Zuazo
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Mais de 24 horas após o incêndio do Hospital Federal de Bonsucesso, a pensionista Rita Segtovich, de 63 anos, ainda não descobriu o paradeiro do pai, Ciro Amorim Segtovich, de 93 anos. O idoso estava internado há cerca de um mês no terceiro andar do prédio 1, o bloco no qual tiveram início as chamas. A instituição informou à família que o paciente foi transferido para o Hospital estadual Anchieta, no Caju. No entanto, até o início da tarde desta quarta-feira, Ciro não havia dado entrada na unidade.

— As famílias estão desesperadas atrás de notícias e o hospital está dando informações desencontradas, informações que não são reais. Desde ontem (terça-feira) estão afirmando que meu pai está no Anchieta, mas ele não está lá e não me dizem para onde foi levado — diz.

Segundo Rita, o idoso deu entrada no hospital de Bonsucesso no dia 29 de setembro, com pneumonia e suspeita de Covid-19. Ele ficou em isolamento por dez dias, até que um teste deu resultado negativo para o novo coronavírus. Com isso, Ciro foi transferido do Covidário (ala reservada para pacientes com a doença) para a unidade pós-operatória, no mesmo prédio, onde podia receber visitas regulares de parentes.

A última vez que Rita conversou com o pai foi no domingo. Na segunda-feira, um sobrinho foi visitá-lo e na terça-feira as visitas foram suspensas por causa do incêndio. Após o incêndio, Rita iniciou uma via crucis em busca do pai.

— Ontem (terça-feira), por volta das 16h, fui informada no hospital de Bonsucesso que ele havia sido transferido par ao Hospital Anchieta. Fui para o Caju e consegui confirmar que existe uma vaga reservada no nome dele no CTI do hospital. Mas até as 22h30 ele não tinha chegado. Estou mantendo contato com uma pessoa do hospital, que ficou de me avisar caso ele chegue, mas até agora nada — desabafa ela.

Além da necessidade de cuidados especiais, devido à idade avançada, a condição psicológica de Ciro preocupa a família. De acordo com Rita, ele tem um princípio de demência senil, embora reconheça todos os filhos e sobrinhos. Além disso, ele é muito ativo e as enfermeiras precisavam frequentemente aplicar sedação para acalmá-lo.

— Eu até entendo a dificuldade. Nosso sistema de saúde é bastante precário, mesmo. Mas é preciso tomar alguma providência em relação à coordenação dessas transferências. Assim como eu, muitas pessoas estão nesse sufoco.