Um dia após Macron e Scholz, Boris Johnson visita Kiev

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, fez uma visita de surpresa a Kiev nesta sexta-feira, anunciando um programa de treinamento para soldados ucranianos. A viagem do premier, que trava um imbróglio judicial com a União Europeia (UE) devido aos termos do pós-Brexit, coincidiu com a recomendação da Comissão Europeia para que seja concedido à Ucrânia o status de candidata à adesão ao bloco.

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A segunda visita de Boris a Kiev desde o início da guerra vem um dia após a viagem de três dos principais líderes europeus. O presidente da França, Emmanuel Macron, o premier italiano, Mario Draghi, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, foram juntos ao país na quinta, buscando driblar críticas de que estariam pressionando os ucranianos a negociarem um cessar-fogo com a Rússia em condições desfavoráveis.

Boris, que enfrenta uma crise política de meses e sobreviveu no último dia 6 a um voto de desconfiança, deveria ter participado nesta sexta de uma reunião com aliados no Norte do Reino Unido. Horas após cancelar sua aparição sem justificativas, tuitou:

"Senhor presidente, Volodymyr [Zelensky], é bom estar de novo na Ucrânia", tuitou o primeiro-ministro, que em abril foi o primeiro líder do G7 a viajar ao território ucraniano para se encontrar com Zelensky.

Segundo o governo britânico, a visita tem por fim discutir os esforços ucranianos frente aos avanços das tropas do Kremlin e "oferecer um grande programa de treinamento" para ajudar os ucranianos a "sustentarem sua defesa heroica". O programa, afirma Downing Street, tem potencial para treinar cerca de 10 mil soldados a cada quatro meses e assistirá tanto militares já na ativa quanto aqueles ainda em preparação.

"Eu ofereci ao presidente Zelensky um novo e grande programa de treinamento militar que pode mudar a equação desta guerra, aproveitando-se da mais poderosa das forças: a determinação ucraniana de vencer", disse Boris em nota.

Em uma mensagem no seu Telegram, o presidente ucraniano disse que "muitos dias desta guerra provaram que o apoio do Reino Unido à Ucrânia é firme e resoluto". Em sua mensagem, o líder ucraniano disse estar grato de ver "Boris Johnson, grande amigo do nosso país, novamente em Kiev".

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Boris é popular com o governo ucraniano por ter fornecido armas para a defesa do país, tanto antes quanto depois da invasão. O anúncio mais recente veio no início do mês, quando Londres prometeu enviar lançadores móveis de múltiplos foguetes para auxiliar nos conflitos no Leste ucraniano.

"O Reino Unido está com vocês e estaremos com vocês até que a vitória finalmente venha", disse a nota de Boris desta sexta. "Conforme os soldados ucranianos disparam mísseis do Reino Unido em defesa da soberania de sua nação, também o fazem em defesa das mesmas liberdades que tomamos como garantidas."

A região é o epicentro atual da disputa, que neste momento se concentra na cidade de Sevedonetsk. Ela é considerada essencial para a definição do destino do Donbass, que compreende as regiões de Donetsk e Luhansk.

Zelensky e seus aliados há meses demandam mais armas do Ocidente, apelos que ganharam força após os ucranianos esgotarem seu arsenal de fabricação russa e soviética. Agora dependem exclusivamente da ajuda de seus aliados para contra-atacar a invasão russa.

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Com isso, os ucranianos foram obrigados a migrar para armas com especificidades ocidentais com as quais não estão acostumados. Precisam, portanto, aprender a usar tais tecnologias, processo que pode levar meses e atrasa o envio dos armamentos — algo que justifica a oferta britânica de treinamento desta sexta.

Segundo Andriy Yermak, chefe de Gabinete de Zelensky, Boris e o presidente ucraniano discutiram a "necessidade de fornecer armas pesadas e sistemas de defesa aéreo", além de "apoio econômico" à Ucrânia.

Crise interna

Para o primeiro-ministro britânico, a viagem vem dois dias após a UE anunciar a abertura de um processo judicial contra o Reino Unido pelos planos de romper unilateralmente o Protocolo da Irlanda do Norte, a parte mais espinhosa do divórcio concluído em 2021. Será um processo de anos, mas caso seja considerada culpada, Londres ficará passível de sanções econômicas, multas e até mesmo a imposição de tarifas comerciais.

As consequências do Brexit afetam gravemente a economia britânica: em abril, a inflação chegou a 9% pela primeira vez desde os anos 1980 e a previsão é de que o país tenha a pior taxa de crescimento entre os integrantes do G-20, com exceção da Rússia.

Junto ao mau momento econômico, Boris enfrenta uma crise política de meses devido à realização de festas na sede do governo quando os britânicos estavam em quarentena para conter a Covid-19. Foi o imbróglio que levou seus aliados conservadores a convocarem a moção de desconfiança no início do mês, da qual Boris saiu desgastado depois de perder o apoio de 41% dos seus aliados.

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