Um dia após reunião de pacificação entre poderes, Bolsonaro volta a criticar prefeitos e governadores

Julia Lindner e Natália Portinari
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BRASÍLIA - Um dia após reunir chefes de Poderes, ministros e governadores para buscar uma estratégia conjunta de enfrentamento à pandemia da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar medidas de isolamento social decretadas por prefeitos e governadores nesta quinta-feira em pelo menos duas ocasiões.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro disse que "não sabe onde vai parar o Brasil" se a política do 'feche tudo continuar'. Pouco antes, em evento no Palácio do Planalto, ele culpou gestores que determinaram o lockdown pelo fechamento de empresas.

- Agora, se a economia parar, pessoal, se a política 'feche tudo' continuar de forma radical, a gente não sabe onde vai parar o nosso Brasil aí. Na favela Chaparral (DF), na semana passada, vimos os problemas lá - disse Bolsonaro - Eu gostaria que prefeitos e governadores, alguns devem fazer, mas que a grande maioria fosse visitar essas pessoas para ver como estão vivendo.

De acordo com Bolsonaro, a nova rodada do auxílio emergencial, que será iniciada em abril, servirá para ajudar aqueles atingidos pela política do 'fique em casa, feche tudo', desconsiderando os efeitos da pandemia do novo coronavírus. Ele também afirmou que o governo federal foi o responsável por manter "a economia viva" no ano passado.

Durante a transmissão, o presidente elogiou o trabalho do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que deixou o cargo esta semana após uma série de críticas por sua atuação na pandemia, e afirmou que é graças a ele que o Brasil terá 500 milhões de doses de imunizantes até o final do ano.

Na mesma frase, o presidente cometeu um ato falho ao dizer que "medidas contra a vacina começaram a ser tomadas lá atrás". Alguns minutos depois, foi informado por um auxiliar e corrigiu a informação.

- Nos preocupamos sim com a vida. As medidas contra a vacina começaram a ser tomadas lá atrás. Muita gente nega isso aí, é negacionista, mas é verdade que hoje em dia graças ao trabalho do ministro Pazuello, hoje em dia temos condições, até o final do ano teremos 500 milhões de doses de vacina para o Brasil - disse.

Bolsonaro também insinuou que falta as prefeituras e os governadores estaduais informarem corretamente as doses de imunizantes que receberam. O país vacinou até o momento cerca de 5% da população.

Mais cedo, em cerimônia no Planalto, Bolsonaro culpou gestores que decretam medidas restritivas de circulação pelo fechamento de empresas:

- É o governo mostrando sua sensibilidade, sabendo que o desemprego, o fechamento de empresas parte diretamente de quem pratica o lockdown.

Em outro momento, ele afirmou que outras categorias, como do setor de bares e restaurantes, "têm sofrido muito com decretos estaduais e municipais que têm fechado seus comércios".